quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O DNA do Inovador

Quais são as 5 habilidades dos inovadores de ruptura? Você é um deles?

Quando Thomas Edison descobriu a lâmpada, fez-se a luz… em muitos sentidos!
Hoje, o que parece simples, foi uma sucessão de erros, tentativas e mais tentativas levadas à exaustão.
“Não falhei. Apenas encontrei 10 mil jeitos que não funcionam.” – Thomas Edison
Só pra relembrar, a lâmpada foi inventada no final do séc. XIX. E não foi seu único invento, Thomas Edison era um inovador de carteirinha, registrando na época 2.332 patentes, o que rendeu ao norte-americano o apelido de “Feiticeiro de Menlo Park”.  Área, aliás, do atual Vale do Silício lá na Califórnia. Se achamos que o Vale só atrai gente interessante do final do século XX pra cá, o inventor da lâmpada nos lembra que essa área, historicamente, sempre foi favorável aos inventos disruptivos. 
O jogo de tentativa e erro faz parte integrante do DNA dos inovadores. Essa é uma equação, por vezes dolorosa, mas que sem dúvida, promove os extraordinários momentos de “eureca”. O acerto de uma aposta só é um jogo raro, inusitado, e de acordo com os estudiosos do fenômeno Vale do Silício, quase improvável. Por lá, os inovadores são encorajados ao fracasso como forma de ganhar musculatura para competirem, escalarem e vivenciarem o tão almejado mundo da disrupção. Existe um mantra propagado por aquelas bandas que diz que um inovador só está “no ponto” quando fracassou pelo menos 11 vezes, aí sim, está apto para abraçar seu merecido sucesso. 
Inovação, se tornou a palavra da onda nos últimos tempos, e esse ano esteve presente em todos os eventos – corporativos ou não – que apresentei ou participei como público. Empresas de todos os tamanhos, organizações de todos os gêneros, marcas e pessoas, não só estão falando, como promovendo e apostando na inovação como um amuleto da sorte para desembarcar no futuro. 
Mas, será que todos estão realmente dispostos a praticar a inovação? Inovar quer dizer: realizar algo que nunca foi feito antes, romper, modificar, transmutar – abrir mão de um “estado” para chegar em outro. E quando a inovação sai do mundo das ideias e vai para prática não é o que realmente tenho percebido. Entre o querer e o fazer existe, muitas vezes, um grande hiato. Seguir pelo caminho da inovação é uma decisão, então, não promova a inovação a menos que você realmente esteja disposto a enfrentar a disrupção.
Se você, seu departamento, marca ou empresa estão dispostos a enfrentar possíveis fracassos ou erros durante a jornada disruptiva, então, as portas para inovação estão abertas, afinal, como o próprio mestre Thomas Edison advertiu, inventar a lâmpada, um novo processo, sistema, produto ou uma nova fórmula de sucesso, muitas vezes pode partir de 10 mil tentativas anteriores sem sucesso.
Paul Saffo, futurista, engenheiro e professor da Universidade de Stanford – situada no coração Vale do Silício, certa vez declarou: “Os pináculos do sucesso são construídos sobre os escombros do fracasso. Quando alguém falha aqui, não é uma questão de ego ou de vergonha – na verdade o fracasso é mais como um distintivo de honra e um convite para entrar no clube.” – Os Segredos do Vale do Silício –  Deborah Perry Piscione
E quando o caminho é realmente sair da zona de conforto em busca do novo, então aqui vão alguns insights muito interessantes sobre inovação colhidos no livro “DNA do Inovador” (Ed. HSM), dos autores J. Dyer, H. Gregersen e C. Christensen…
Pra começar, eles lembram que a criatividade é uma habilidade que provém do lado direito do cérebro. Os inovadores, portanto tem uma ajudinha extra desse importante órgão, que colabora com pensamentos mais intuitivos, é o lado do sentir e interpretar. Já nosso lado esquerdo é aquele que processa pensamentos mais lógicos e lineares, portanto, menos criativos. 
A boa nova é que conforme pesquisas dos autores do livro, a inovação não é apenas uma predisposição genética, mas sim pode ser treinada. O “DNA do Inovador” mostra que todos nós, incluindo eu e você, podemos inovar se algumas habilidades específicas forem desenvolvidas.
Dyer, Gregersen e Christensen, selecionam 5 habilidades que descrevem como fundamentais aos postulantes da inovação:
– PENSAMENTO ASSOCIATIVO ou simplesmente Associação – “Ocorre quando o cérebro procura sintetizar e tirar sentido de novas informações. Ela ajuda os inovadores a descobrir novas direções fazendo ligações entre questões, problemas e ideias aparentemente sem relação entre si. Descobertas inovadoras ocorrem muitas vezes na intersecção de disciplinas e campos diversos.”
– QUESTIONAR – “Os inovadores são grandes questionadores, que mostram paixão pelo ato de perguntar. Suas questões desafiam com frequência o status quo.”
– OBSERVAR – “Diz respeito a habilidade de prestar cuidadosamente atenção no mundo ao seu redor – incluindo clientes, produtos, serviços, tecnologias e empresas – e essas observações os ajudam a compreender e a ter ideias que levam a novos meios de fazer as coisas. Os inovadores são intensos observadores.”
– CULTIVAR O NETWORKING – “Os inovadores gastam muito tempo e energia descobrindo e testando ideias por meio de uma rede diversificada de pessoas que tem backgrounds e perspectivas diferentes.”
– EXPERIMENTAR – “Fala sobre a habilidade de estar constantemente testando novas experiências e pilotando novas ideias. Os experimentadores exploram sem cessar o mundo, intelectual e fisicamente, desafiam convicções, testam hipóteses ao longo do caminho.”
Os autores compartilham no livro inúmeros cases e afirmam que os inovadores tratam o mundo como se fosse um ponto de interrogação e que questionam constantemente o pensamento dominante. Contam que A.G. Lafley, executivo inovador da P&G, sempre foi um exímio questionador. Ele se habituou a provocar-se todas as semanas com uma mesma pergunta “Sobre o que eu vou ter curiosidade na segunda-feira?”. Já Aaron Garrity, Fundador da Xango(empresa inovadora de artigos para saúde e nutrição) tem um outro mantra “Eu questiono, sempre questiono, com o estado de espírito revolucionário”, e assim alcança sucesso com atitudes disruptivas.
“Meg Whitman, da eBay trabalhou com diversos empreendedores e fundadores inovadores, incluindo Omidyar (eBay), Niklas Zennström e Janus Friis (Skype e Kazaa), Peter Thiel (PayPal) e Elon Musk (Tesla Motors, SpaceX). Quando lhe perguntaram em que essas pessoas são diferentes dos executivos típicos, Whitman respondeu: “Eles tem compulsão por destruir o status quo. Não conseguem suportá-lo. Assim, passam um tempo enorme pensando em como mudar o mundo. E, enquanto pensam e colocam a cabeça para funcionar, gostam de perguntar: se fizéssemos assim, o que aconteceria?”
Para Jeff Bezos da Amazon, experimentar é um fator tão basal para a inovação que tentou institucionalizá-lo. “As experiências são importantíssimas para a inovação porque raramente resultam naquilo que você espera. Estimulo os funcionários a entrar em becos sem saída e testar. Tentamos reduzir os custos de nossas experiências para que possamos fazer ainda mais ensaios. Se você aumenta o número de experiências, de cem para mil, vê crescer drasticamente o número de inovações que produz.”
Edwin Land, cofundador da Polaroid, por exemplo, pensou pela primeira vez no que seria a revolucionária máquina Polaroid um dia em férias com a família. Ele tirou uma foto da filha de 3 anos que em seguida o questionou por que não podia ver a fotografia tirada de imediato. Insistiu na pergunta várias vezes. Land, prestando atenção no pedido da filha, fez a mesma pergunta “Por que não posso ver a foto tirada imediatamente?”. Resolveu assim levar a questão para um especialista em emulsões fotográficas. O que seria necessário para desenvolver uma foto instantânea? Foi essa pergunta que deu início a uma revolução no mercado fotográfico. A Polaroid modificou totalmente a indústria em sua época, gerando um impacto incrível entre os anos de 1946 e 1986, vendendo mais de 150 milhões de unidades. 
Esse é só um dos milhares de produtos e serviços que foram inventados partindo de perguntas simples e da observação de uma necessidade cotidiana. Desde a criação da lâmpada, passando pelas garrafas pet, que mantém mais tempo o gás nos refrigerantes, o próprio telefone celular que nos deu mobilidade, passando pelo WhatsApp que agora desafia o sistema de comunicação, todos os serviços pautados em economia compartilhada como o Uber e o Airbnb, até a invenção de um simples travesseiro no qual repousamos nossa cabeça todas as noites. Os inovadores estão sempre de olho nas necessidades não satisfeitas do nosso dia a dia.  
Os autores também estimulam que passemos a ver a vida através de nossos 5 sentidos, como se estivéssemos de férias pela primeira vez em um destino. 
Dieter Güter, um dos engenheiros mais importantes da Daimler (fabricante de automóveis e caminhões com sede na Alemanha) disse “Olhando a natureza, você chega a ideias que nunca teria se ficasse pensando sozinho”. Sua equipe encontrou uma solução surpreendente observando um peixe baiacu depois de passar um dia inteiro entre os peixes de um museu local de história natural.
“Os inovadores não precisam visitar outros países para passar pela experiência de imersão em um ambiente novo. Há muitas oportunidades de aprender explorando exposições, museus, jardins zoológicos, aquários, natureza.” – afirmam os autores do livro.
Se você está na senda de novos processos ou de uma visão de fato inovadora, buscar o aprimoramento dessas 5 faculdades vai certamente ajudar nesse desafio. Como promove o “DNA do Inovador”, nem todos precisam nascer com essas habilidades intrínsecas para serem disruptivos, existem maneiras de cultivar uma visão e um pensamento fora da caixa. 
Para se certificar que o caminho da disrupção é por onde quer transitar, vale a pena refletir: Você está preparado para o jogo de tentativa e erro da inovação? Você está realmente aberto ao novo, ou a mudança é apenas uma imposição profissional ou sociocultural? Analise suas respostas e veja se está ou não preparado para uma jornada de transformação. No mais, sempre vale se orientar por aquilo que realmente pulsa dentro de você, para que, além da inovação você desperte a coerência como pilar da sua gestão, organização, do seu departamento ou da sua própria vida. 
Por Luah Galvão
Fonte https://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/o-dna-do-inovador/

quarta-feira, 25 de julho de 2018

COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AJUDA NO RECRUTAMENTO E NA SELEÇÃO

O robô caça-talentos tem ajudado as companhias para recrutar e selecionar pessoas - inclusive as que não estão à procura de emprego

Aos poucos, a inteligência artificial (IA) começa a ser usada para tornar mais eficiente o processo de recrutamento e seleção de pessoas. No Brasil, o movimento se iniciou há dois anos, liderado por companhias do setor de comércio e tecnologia que recorrem às máquinas sobretudo para lidar com um grande número de candidatos. Com o passar do tempo, acabou se expandindo para outros segmentos de negócios.
É o caso do laboratório anglo-sueco AstraZeneca. Com 1 200 funcionários no país, muitos deles no setor comercial, a empresa começou a usar um sistema de reconhecimento facial em entrevistas por vídeo. Durante essa fase, algoritmos permitem que as emoções do candidato sejam mapeadas. Depois dessa etapa, os selecionados vão para o processo de gamificação, que testa várias habilidades, inclusive a capaci­dade de interação. Segundo Vanessa Cordaro, diretora de recursos humanos e comunicação corporativa da AstraZeneca, o processo remoto tem ajudado nas contratações fora de São Paulo, onde fica a subsidiária brasileira. “Estamos com dois projetos em outras cidades e conseguimos acesso mais fácil a esses talentos”, afirma Vanessa.
Recém-implantado, o programa já foi usado na contratação de 270 funcionários da AstraZeneca, entre representan­tes de serviços e gerentes distri­tais, internos e externos.
A paulistana Sandra Beltran é uma das funcionárias que passaram por esse sistema. Após nove anos trabalhando no setor farma­cêutico como propagandista, Sandra se inscreveu num processo seletivo interno para mudar de posição na AstraZeneca. Formada em comunicação social, com pós-graduação em gestão de conhecimento do capital intelectual e MBA em gestão de pessoas, ela se “submeteu” ao sistema de inteligência artificial para conquistar uma vaga de gerente distrital. “No início, foi um pouco desconfortável, apesar de eu entender que preci­sava participar dessa etapa. Mas depois só vi benefícios, pois enten­di as vantagens da seleção”, diz Sandra. Já alçada ao posto de gerente distrital, a profissional foi para a outra frente — ela própria teve de eleger sua equipe usando o recurso tecnológico. “Conheci os dois lados: de quem é selecionado por meio da inteligência artificial e de quem escolhe”, afirma. “É uma novidade e, como tal, requer adaptação.”
Com a evolução da tecnologia e das mudanças no comportamento da sociedade, a prática de recrutamento e seleção também teve de avançar. “Nos últimos anos, a maior mudança foi a divulgação  online das vagas de emprego. Isso permitiu a rápida distribuição de oportunidades para uma audiência em massa”, afirma Jonathan Sampson, diretor-geral da consultoria de recrutamento Hays. Nesse momento, no entanto, não havia envolvimento entre as partes, apenas interfaces web. Mas, à medida que as mídias sociais se tornaram populares, os candidatos puderam fazer seu mar­keting pessoal proativamente e criaram um barulho para atrair os empregadores. Finalmente, surgiram os  sites “agregadores”, que utilizam a tecnologia para consolidar as vagas numa só plataforma. Sampson afirma que os modelos anteriores, sem uso da inteligência artificial, limitavam a seleção. “Há candidatos que procuram ativamente uma nova posição. Isso omite um grande número de profissionais reativos e altamente talentosos que, se abordados por uma fonte confiável, talvez se interessassem pela oportunidade.” De acordo com ele, dessa forma o RH expandiria “significativamente” a base de talentos potenciais.
Ganho de tempo
Além de ampliar o universo de candidatos, outra vantagem do sistema de inteligência artificial é aumentar a produtividade da equipe de recursos humanos no processo de recrutamento e seleção.
Segundo maior empregador do país, com 78 000 funcionários, a empresa de call center Atento, com sede em São Paulo, faz, em média, 4 000 contratações por mês. Para dar conta do volume, só o time de RH tem 900 profissionais. Para a companhia, a adoção da inteligência artificial durante a busca por novos empregados garantiu um ganho de produtividade e de tempo significativos. “Nosso período de admissão caiu de sete dias para 36 horas”, diz Majo Martinez, vice-presidente de recursos humanos da Atento.
Os concorrentes são interceptados pelas redes sociais e por sites de busca de emprego. Um robô (um sistema de computador) os identifica e inicia a conversa, via chat no Facebook ou no Telegram. Primeiro, o postulante à vaga faz um teste online de português e matemática. Caso passe nessa fase, vai para um jogo que simula situações reais. A etapa final é uma entrevista por videoconferência com o supervisor da área. Todo o processo é virtual, até mesmo a admissão: o profissional digitaliza o documento e envia pela internet. “Os trabalhadores que passam por essa seleção vão atuar numa vaga de salário mínimo”, diz Majo. “Fazendo o processo sem sair de casa, eles não gastam nada.” A executiva reconhece que sua equipe teve dificuldades para  pôr em prática a tecnologia. Mas, com o retorno positivo imediato, há planos de expandir o modelo.
Contudo, há quem questione se usar a inteligência artificial no recrutamento pode acabar com a diversidade, levando as organizações a contratar sempre os mesmos perfis. Denys Monteiro, CEO da ZRG Partners Brasil, especializada na busca de executivos, discorda. Segundo ele, num processo de seleção em que concorrem milhares de pessoas, algum filtro sempre é aplicado, e não necessariamente o  mais eficaz. “Sou a favor de tudo que possa melhorar a qualidade da decisão”, diz Monteiro. Para ele, a melhor forma de escolher um trabalhador é ter o maior número possível de dados. “Você contrata um candidato com base apenas nesse tipo de informação? Obviamente, não. As questões pessoais sempre prevalecem.”
Os laços humanos são importantes principalmente no Brasil, um país de cultura relacional. “A inteligência artificial é parte relevante do processo, mas não substitui um especialista humano para gerenciá-lo, interpretá-lo e para construir os relacionamentos em torno dela”, diz Jonathan Sampson, da Hays.
Ferramenta aliada
Na Cremer, fabricante de produtos para cuidados com a saúde, a inteligência artificial é uma aliada no processo anual de trainees, cada vez mais concorrido. Nos últimos quatro anos, o número de candidatos cresceu de 1 000 para 85 000. Com esse aumento, a companhia resolveu mudar o sistema de escolha e lançou mão da tecnologia. Primeiro, o pretendente entra no site e, ao clicar num link, conversa por cerca de 3 minutos com um robô chamado Vicky. A conversa nada mais é do que o preenchimento da ficha de inscrição, que antes demorava 20 minutos. Passada essa fase, o jovem vai para os jogos virtuais, que avaliam desde a capacidade de interagir até a rapidez de tomar decisões. Então, há um novo bate-papo com Vicky, dessa vez em inglês. Todas as fases são eliminatórias e, ao final, em média, 300 candidatos chegam à etapa presencial — a Cremer costuma contratar dez trainees por ano.
Para Rodrigo Ladeira, diretor de recursos humanos da empresa, o sistema constitui um avanço, mas não pode ser usado isoladamente. “Os games são específicos para determinada geração, e nada substitui a entrevista presencial”, diz Ladeira. “Mas a inteligência artificial facilita muito nosso trabalho.”
Mas o Brasil ainda está um passo atrás do mercado americano no que diz respeito ao uso de inteligência artificial. Aqui, por enquanto, esse mecanismo só pode ser utilizado com funcionários de cargos não executivos. “Quanto mais alto o nível hierárquico, mas difícil é criar um algoritmo de confiança”, afirma Marcello Porto, da LG Lugar de Gente, especializada em tecnologia para RH.
Danielle Alfieri, gerente executiva do ManpowerGroup, concorda que a busca de executivos com esse recurso deve ser considerada com cuidado. “A inteligência artificial ainda está muito voltada para diminuir volume”, diz a especialista.
Canal de interação
A seguradora Tokio Marine começou a utilizar um software de inteligência artificial no atendimento aos próprios funcionários. O responsável é um robô chamado Marina, que responde às mais variadas dúvidas, de férias a avaliação de desempenho. O sistema é capaz de aprender, identificar expressões e interpretar contextos. E quem fornece conhecimento para ele é a própria equipe de gestão de pessoas. Marina foi alimentada com todas as possíveis respostas para as possíveis perguntas dos 1 700 empregados da seguradora.
Antes de apresentar a novidade, a Tokio fez uma pesquisa interna para definir como seria Marina. “Ela ficou com a cara do RH: tem um tom bem-humorado e leve nas respostas”, diz Juliana Zan, diretora de recursos humanos. Além disso, os funcionários votaram para que ela fosse descolada, além de praticante de ioga e pilates.
Curiosos, os empregados têm acessado o robô 100 vezes por dia desde que foi ao ar, em outubro. Antes de sua implantação, a equipe de recursos humanos atendia 90 ligações diariamente com dúvidas que hoje são respondidas por Marina. As chamadas caíram para 29. A equipe de gestão de pessoas está satisfeita com a parceira digital. “Agora, usamos o tempo que passávamos ao telefone para desenvolver novos projetos, que tragam benefícios ao capital humano”, diz Juliana.
Fonte https://exame.abril.com.br/negocios/como-a-inteligencia-artificial-ajuda-no-recrutamento-e-na-selecao/

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Por que sua startup vai quebrar? Problemas jurídicos e comportamentais podem fechar uma empresa

Falta de estudo sobre o mercado, afinidade com o segmento de atuação, concorrência, fornecedores e público-alvo é um erro bastante comum entre os empreendedores que não conseguem se manter no mercado.

Dados do SEBRAE apontam que, em média, 75% das startups fecha suas portas com menos de um ano de atuação. Entre as principais causas estão problemas jurídicos e comportamentais, como falta de planejamento, excesso ou falta de zelo dos empreendedores, contratações equivocadas e problemas entre sócios – seja por desacordo entre os papéis ou pela distribuição das cotas relacionados ao negócio, de acordo com o advogado e sócio-fundador do escritório especializado em startups e PMEs - SBAC Advogados –, Pedro Schaffa.
O especialista afirma ainda que a falta de estudo sobre o mercado, afinidade com o segmento de atuação, concorrência, fornecedores e público-alvo é um erro bastante comum entre os empreendedores que não conseguem se manter no mercado. Para fugir deste cenário, que pode prejudicar a imagem da startup perante investidores, uma boa alternativa é apostar em ajuda jurídica especializada. "Uma consultoria especializada conhece os problemas comuns às startups e atuando de forma preventiva, é capaz de elaborar um contrato que proteja a empresa e os sócios de possíveis contratempos", afirma Schaffa.
Sociedade
Entre as startups, uma das principais causas de mortalidade é o conflito entre sócios, seja pelo desacordo entre os papéis ou até mesmo pela distribuição das cotas relacionados ao negócio. Ao abrir uma sociedade, vale levar em conta se os dois sócios estão focados nos mesmos objetivos, com expectativas alinhadas e interesses em comum para evitar dores de cabeça no futuro. O segundo passo é preparar um Acordo entre Sócios logo no início da jornada empreendedora, a fim de evitar qualquer problema na relação dos fundadores da empresa.
Entre as funções do Acordo de Sócios estão as questões de governança, ou seja, explicar qual sócio é responsável por qual área da empresa, como cada um se dedicará a suas funções. Isso irá ajudar também a prever questões relacionadas à venda da empresa - determinando a proteção do minoritário e a proteção do majoritário. Além disso, o documento deve conter cláusulas informando como a empresa se relacionar com parentes dos sócios e ter uma previsão de punição para sócios inadimplentes com suas obrigações sociais.
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/empreendedorismo/por-que-sua-startup-vai-quebrar-problemas-juridicos-e-comportamentais-podem-fechar-uma-empresa/125391/

sábado, 5 de maio de 2018

5 séries que abordam Inteligência Artificial

Black Mirror é uma das séries de destaque quando o assunto é IA

Um dos temas favoritos da ficção científica — a Inteligência Artificial — está cada vez mais presente na vida real, e, naturalmente, tornou-se assunto recorrente na produção contemporânea de entretenimento, provocando fascínio e temor nos espectadores de cinema e televisão.
Pensando nisso, a Gupy, plataforma de recrutamento e seleção que usa Inteligência Artificial em suas análises, listou cinco séries imperdíveis sobre o tema. Confira abaixo:
Black Mirror:
Os episódios que abordam Inteligência Artificial foram aclamados pela crítica. Em "Be Right Back", uma mulher utiliza um programa de IA para conversar com o "fantasma" de seu namorado, morto num acidente de carro. Em "San Junipero", duas mulheres se apaixonam numa realidade alternativa que pode abrigar a consciência das pessoas após a morte. Por fim, em "Hang the DJ", um casal cujo "match" tem prazo de expiração curto - foram unidos por um software - luta para continuar junto.
Trailer: www.youtube.com/watch?v=5ELQ6u_5YYM
Humans:
Baseada em uma série sueca chamada "Real Humans", aborda os impactos do surgimento de robôs antropomórficos denominados "synths", que não possuem consciência humana. Em uma realidade alternativa, os "synths" são comprados para ajudar os humanos em tarefas do cotidiano. Nesse contexto, um pai de família compra uma synth para ajudá-lo em casa sem prever os efeitos causados na sua família pela presença do robô. A série já tem duas temporadas, com uma terceira prevista para este ano. Além de Inteligência Artificial, "Humans" também trata de temas como racismo e ética.
Mr. Robot:
"Mr. Robot" é um thriller que conta a história de Elliot Alderson, um engenheiro e hacker com fobia social. Ele é recrutado por um homem misterioso, conhecido como Mr. Robot, para se juntar a um grupo de hackers com o objetivo de inutilizar os dados de uma empresa chamada E Corp. A série possui três temporadas e foi indicada para o Globo de Ouro deste ano. Os títulos dos episódios são relacionados a formatos de vídeos, tipos de codificação e comandos de computador.
Westworld:
"Westworld" é um thriller de ficção científica que conta a história do parque de diversões do título, que abriga androides e onde os visitantes podem fazer o que quiser, sem consequências criminais. Entretanto, um erro de programação nos robôs faz com que deixem de ser passivos às ações dos visitantes, ao mesmo tempo em que ganham consciência da realidade do parque. A série, produzida pelo HBO, está com uma segunda temporada prevista para estrear neste ano.
Person of Interest:
Já finalizada, Person of Interest conta a história de Harold Finch, um bilionário que desenvolveu um software conhecido como A Máquina, que permite ao governo americano espionar potenciais criminosos, principalmente terroristas. O software, entretanto, não reconhece as pessoas vigiadas, apenas seus números de seguridade social (equivalente ao CPF no Brasil), o que requer que a polícia investigue esses indivíduos para, de fato, capturar criminosos antes que eles ajam. Como o governo americano não tem interesse em prevenir crimes comuns, Finch recruta o ex-agente da CIA John Reese, que, na teoria, morreu em uma missão na China, para combater esses delitos.
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/tecnologia/5-series-que-abordam-inteligencia-artificial/123589/

quarta-feira, 2 de maio de 2018

As 10 empresas mais inovadoras da América Latina

Em ranking desenvolvido pela Fast Company, empresas brasileiras ocupam 5 posições

Das 10 empresas citadas no ranking de Empresas Mais Inovadoras da América Latina elaborado pela revista Fast Company, 5 são brasileiras. O ranking homenageia empresas líderes em crescimento e em ascensão que exemplificam o melhor em negócios e inovação. Feito feito anualmente pela publicação, reconhece empresas pioneiras em 36 categorias, desde inteligência artificial a bem-estar, e fornece tanto um panorama como um roteiro para o futuro da inovação nos setores mais dinâmicos da economia.

Na lista, primeiro e segundo lugares são da argentina, com a Semtive, que desenvolve geradores portáteis de energia eólica e a Satellogic, que estuda mudanças climáticas por meio de imagens de satélite. O terceiro lugar, no entanto, é brasileiro, ocupado pela Nubank, escolhida pela revista "por atacar as altas taxas de cartão de crédito do Brasil".

Figuram na lista, também, a 99, em 5º lugar, por seu rápido crescimento na área de serviços de mobilidade urbana; a startup Bovcontrol, em 6º, por seu aplicativo para monitoração de rebanho; a Magazine Luiza, em 7º, por "incubar o futuro do varejo brasileiro"; e, em 8º lugar, a CargoX, por seus serviços de transporte de cargas lotação para empresas.
Confira a lista:
1. Semtive - Argentina,
2. Satellogic - Argentina
3. Nubank - Brasil
4. Apli - México
5. 99 - Brasil
6. Bovcontrol - Brasil
7. Magazine Luiza - Brasil
8. Cargox - Brasil
9. Ruta N - Colombia
10. Wild Gum - Guatemala

Empresas comemoram

O ranking foi comemorado pelas empresas brasileiras."Ficamos felizes por sermos reconhecidos por uma publicação que é referência no mercado de tecnologia. Mostra que uma empresa brasileira pode ser protagonista no universo digital e que a inovação não é monopólio do Vale do Silício", afirma Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.
Na CargoX, o sentimento é o mesmo: “Estar numa lista de empresas inovadoras reconhecida como a da Fast Company é uma confirmação de que estamos no caminho certo para revolucionar o transporte de cargas no Brasil. Para nós é uma grande alegria sermos reconhecidos pela nossa disrupção e queremos seguir inovando e sendo referência nesse sentido", conta o fundador e CEO da empresa, Federico Vega.
A 99 também expressa felicidade: "Estamos muito felizes de estarmos no 5º lugar das Empresas Mais Inovadoras da América Latina. A 99 cresce a cada dia e queremos mostrar o quanto é importante soluções de mobilidade urbana para construirmos cidades inteligentes. Estamos trabalhando para aperfeiçoar o aplicativo e levar às pessoas os benefícios da inovação na tecnologia”, disse Daniela Bertocchi, Head de Comunicação da empresa.
Fonte http://www.administradores.com.br/noticias/empreendedorismo/as-10-empresas-mais-inovadoras-da-america-latina/123683/

quarta-feira, 25 de abril de 2018

5 dicas do Google para criar seu negócio do zero

Startups aceleradas no Google Campus, centro de empreendedorismo da gigante de tecnologia, deram conselhos essenciais pelo app Google Primer. Confira:

São Paulo – Misturar sonhos e realidade na hora de criar a empresa. Organizar o pensamento, colocando tudo no papel. Conhecer de verdade as pessoas que você pretende impactar. E, claro, ser confiante e fazer de tudo para seu negócio estar na crista da onda.
Tais máximas para criar uma pequena empresa do zero (e obter sucesso) foram dadas por quem já teve essas experiências: as startups Nama, Eureciclo, Sensedata, Upbeat, Alugalogo, Trakto, Handtalk, Bliive, Baby&Me, SciCrop, Smarttbot, StoryMax, EasyCrédito e Cuponeria.
As 14 empresas são residentes do Google Campus, espaço da gigante de tecnologia para acelerar negócios inovadores. Em evento realizado no Campus, algumas dessas startups detalharam quais dicas principais dariam a quem quer começar a empreender.
Os conselhos estão no Primer, aplicativo global do Google com lições de cinco minutos em marketing digital e negócios. Agora, o app conta com o “Manual do Empreendedor”, que reúne uma lição de cada startup nos blocos “Encontre sua ideia”, “Tire sua ideia do papel” e “Faça sua ideia crescer”.
Confira, a seguir, as dicas das startups aceleradas pelo Google para criar seu negócio do zero:

1 — A melhor ideia vem das paixões e do mercado

Como você pode encontrar a melhor ideia de negócio? Para Fábio Sato, diretor de novos negócios da startup EuReciclo, um empreendedor deve olhar oportunidades que se adaptem ao mercado e, ao mesmo tempo, combinem com suas competências.
“A ideia não pode ser mais importante que você. Por isso, não tenha medo de sair divulgando sua ideia com o mercado – afinal, você é a melhor pessoa existente para realizá-la”, diz Sato. No caso do empreendedor, o interesse está em melhorar taxas de reciclagem no Brasil e a oportunidade de negócio está em realizar parcerias com empresas.
Depois de identificar paixões e necessidades de mercado, sua ideia de negócio deve ser validada com outras pessoas. No fim desse processo está o desenvolvimento do produto ou serviço, que deve ser uma junção de suas percepções com as lacunas apontadas pelo seu público-alvo.
Outras lições do Primer para encontrar sua ideia são usar a cultura da sua startup para criar uma empresa inovadora; encontrar exemplos para sua startup; e aprender a melhorar seu negócio ouvindo feedback.

2 — Você conhece – de verdade – quem é seu cliente?

Logo depois de ter uma ideia, é preciso encontrar o público que irá consumi-la por meio de um produto ou serviço. Nessa hora, não vale viver de intuições e dizer que todo mundo poderia ser seu cliente.
“Alguns chegam até mim falando que possuem uma ideia genial e que impacta milhões no Brasil. Eu logo respondo para eles pensarem direito em com quem querem falar”, conta Mateus Pestana, co-fundador da Sensedata.
Esse afunilamento de público-alvo aconteceu na própria startup de software. O negócio achou que venderia sua solução para outras startups. Porém, a prática mostrou que as compradoras do programa eram as grandes empresas.
“Elas que conseguiam comprar nosso produto e que de fato queriam aplicar a solução com seus próprios clientes. Hoje temos menos clientes do que imaginamos, mas cada um deles tem um peso grande”, diz Pestana.

3 — Faça um plano de negócios, do básico ao avançado

Se você quer criar uma empresa, provavelmente já possui em mente dados como perfil de público-alvo, possíveis parceiros de negócio e formas de monetização. O registro de tais informações é o chamado plano de negócios.
É uma etapa que pode não só botar a casa em ordem, mas facilitar a divulgação da sua proposta para futuros investidores. Foi o que percebeu João Bogas, growth hacker da startup HandTalk, negócio social de acessibilidade em Libras.
“A gente sempre trabalhou com um plano de negócios mais simples, uma apresentação visual. Mas, como queríamos captar investimentos, trabalhamos nos últimos dois anos em um planejamento mais complexo”, explica.
“Citamos dados novos, como situação do mercado no Brasil e em potenciais alvos de internacionalização. Isso nos ajudou muito na hora de conseguir aportes.”
Se você está começando sua empresa, uma dica do empreendedor é olhar para modelos como o conhecido Business Model Canvas.
Outras lições do Primer para tirar sua ideia do papel são criar um protótipo e apostar em um mentor para melhorar sua startup.

4 — Menos ideias fixas, mais criação de marca

O mundo das startups está cheio de encantamentos. A cada nova semana são divulgada ideias de negócios que pretendem revolucionar o mercado ou trazer disrupção para toda uma indústria. Porém, viver das ideias que surgem no começo da empresa pode matar seu projeto em longo prazo.
Como empreendedor, você provavelmente precisará mudar de posicionamento várias vezes para se adaptar às mudanças do mercado. Mesmo assim, a essência do seu negócio deve permanecer.
Paulo Tenório, fundador da startup de marketing Trakto, conhece bem esse equilíbrio delicado. O empreendedor conta que as primeiras versões do site e da comunicação de seu negócio eram “horríveis”. Foram várias tentativas até chegar ao simples Trakto.
“Recomendo que você, antes de criar o branding do seu negócio, delimite bem qual problema irá resolver e deixe-o ditar suas ações de marketing. Senti isso na pele quando precisei pivotar minha ideia de negócio, indo de propostas comerciais para diversos documentos. Se tivesse seguido o conselho que recebi de um mentor e colocado o nome Proposta Fácil, teria tido muitos problemas.”

5 — Quer acelerar seu negócio? Gere buzz

Nara Iachan, fundadora da plataforma Cuponeria, enfrentou um grande desafio ao tentar popularizar a cultura americana dos cupons gratuitos em terras brasileiras. Mesmo anunciando seus descontos de forma totalmente gratuita, o público-alvo da Cuponeria ainda estava receoso em adotar a solução.
“A gente tinha de gerar assunto. Não é algo fácil, mas não tinha outra forma”, afirma Iachan. A startup se encontrou com mentores, inclusive do Google, e fez uma repaginação total do negócio. Mudou as cores da marca e adotou a linguagem das promoções brasileiras, começando a mudança dentro da empresa.
Após esse reposicionamento, a startup atingiu seu ponto de virada com uma ação promocional. Emitiu cupons de “2 hambúrgueres por 1” para um festival gastronômico. Nessa ação, as pessoas começaram a entender como os cupons funcionavam. O boca a boca do festival atraiu o interesse de gigantes como Unilever para fazer parcerias.
“Conseguimos crescer sem aumentar nossos custos. Então, conheça seu produto, tenha foco e entregue isso para as pessoas da melhor forma possível, gerando novas recomendações. Assim, você acelera o crescimento do seu negócio.”
Outras lições do Primer para fazer sua ideia crescer são arrumar um sócio; aumentar as vendas ao lançar seu projeto; vender sua ideia com uma apresentação memorável; e conseguir investimento para a sua startup.
Fonte https://exame.abril.com.br/pme/5-dicas-do-google-para-criar-seu-negocio-do-zero/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como esta startup passou em uma seleção mais difícil que Harvard

A Qulture Rocks, startup de gestão que faz até estagiários darem feedback aos CEOs, é a quarta empresa brasileira a ser aceita na aceleradora Y Combinator

São Paulo – A startup Qulture Rocks é a quarta empresa brasileira a realizar um feito invejável. O negócio foi aprovado no começo deste ano na Y Combinator, famosa aceleradora do Vale do Silício (Estados Unidos) que possui uma seleção ainda mais difícil do que a da Universidade de Harvard.
Como a startup conseguiu? Uma pista pode estar na escolha por resolver um problema marcante em vários países, inclusive no Brasil: a falta de feedback honesto e de acompanhamento real das metas empresariais.
“Todas as empresas de sucesso possuem preocupação com o fortalecimento de sua cultura e com a gestão do seu desempenho. Basta olhar para gigantes como a Netflix”, afirma Francisco de Mello, fundador da Qulture Rocks.
Com a aprovação na Y Combinator, o negócio conquistou um investimento de 400 mil reais e o acesso a uma rede de relacionamentos que inclui negócios como Airbnb e Dropbox. A aceleração mudou as metas da empresa para planos ainda mais ambiciosos: crescer seu faturamento em 200% em 2018. 

Ideia de negócio e fim da burocracia em RH

Mello trabalhou no mercado financeiro desde que se formou na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seu último emprego foi na área comercial do BTG Pactual, quando já sentia que o desejo de empreender falava mais alto.
“Sentia vontade de fazer as coisas de um jeito diferente, com gestores diretos, desafios que realmente me ajudassem a crescer e reuniões de feedback mais profundas e legais. Juntei a vontade de empreender com o desejo de criar uma melhor gestão de pessoas.”
Porém, Mello não conhecia nada da área. O futuro empreendedor olhou para um modelo de gestão que admirava, o do grupo 3G Capital, e a partir daí estudou o que as empresas de Beto Sicupira, Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann faziam de diferente quando se fala em gestão de pessoas.
Francisco de Melo, fundador da Qulture Rocks Francisco de Mello, fundador da Qulture Rocks
Francisco de Mello, fundador da Qulture Rocks (Qulture Rocks/Divulgação)
Ao todo, foram quatro meses de pesquisa de negócio e mais de 50 executivos e ex-executivos da AB Inbev e Kraft Heinz entrevistados. Mello escreveu um livro e viveu desses rendimentos para criar um mínimo produto viável (MVP) da Qulture Rocks, em abril de 2015.
A empresa incorporou não apenas o modelo de gestão do 3G Capital, mas também das startups do Vale do Silício. Mello já havia investido em duas empresas de tecnologia, a Creditas e a Gympass, durante sua estadia no BTG Pactual.
“Esses dois posicionamentos deram um direcionamento ao nosso software, que mistura o que há de melhor no mundo estável e de manufatura [do 3G Capital] com o melhor no mundo ágil e centrado na experiência do funcionário [do Vale].”
Por meio da ferramenta de gestão da Qulture Rocks, tanto funcionários quanto gestores têm acesso a recursos como avaliações de desempenho, metas, programas de cultura empresarial e programação de reuniões entre líder e liderado.
Os clientes da startup possuem, em média, ciclos de gestão de desempenho que vão de três meses a um ano. No começo de cada ciclo, as empresas estabelecem uma série de expectativas de vendas, orçamento e objetivos de carreira de cada funcionário, por exemplo.
A Qulture Rocks é responsável por monitorar se a empresa está no caminho certo e reunir todas as avaliações. No fim, a startup faz uma análise e informa o que a empresa e seus membros atingiram.
As métricas estão disponíveis em uma versão desktop e em aplicativos para Android e iOS. Além de a empresa conseguir medir melhor seus resultados, os funcionários podem se livrar da burocracia comum aos processos de recursos humanos, afirma Mello.
“O empregado faz seus procedimentos de gestão de pessoas quando ele quiser, e não em uma reunião anual definida pela equipe de RH. Acreditamos que o feedback é muito mais efetivo se é recebido logo após certo comportamento, quando as atitudes ainda estão frescas na memória.”
A Qulture Rocks atende 60 clientes hoje, incluindo negócios como ContaAzul, Nubank e VivaReal. Como forma de monetização, a startup cobra uma licença mensal ou anual de acordo com o tamanho da empresa e o número de funcionalidades usadas pelo cliente. O ticket médio é de 30 mil reais por ano.
Ao todo, mais de 28 mil pessoas usam a ferramenta da Qulture Rocks. Mais de 300 avaliações formais foram feitas, enquanto 61 mil feedbacks informais foram gerados. “Temos como exemplo um estagiário que deu feedback ao CEO. Isso nunca aconteceria em uma companhia tradicional, e achamos isso incrível para a melhora da cultura empresarial”, afirma Mello.
Para o futuro, a startup pensa em focar na aquisição de grandes empresas como usuárias da ferramenta. “Apesar de começarmos com startups, estamos expandindo para áreas mais tradicionais. As empresas sabem que, sem investir em gestão de pessoas, será um grande problema continuar atraindo pessoas boas. Apostamos nessa consciência das grandes.”
Fonte https://exame.abril.com.br/pme/como-esta-startup-passou-em-uma-selecao-mais-dificil-que-harvard/

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