CES 2018 reforçou tendências tecnológicas que já se desenhavam em anos anteriores, como a invasão dos assistentes pessoais digitais e os carros autônomos
A tecnologia está no DNA de empresas competitivas. Todos os processos de negócios, em algum grau, são ou podem ser influenciados por inovações tecnológicas que são desenvolvidas continuamente e todos os anos se apresentam como novos produtos e serviços.
Este ano, a Consumer Electronics Show (CES) 2018, feira anual que acontece em Las Vegas (EUA), reforçou tendências tecnológicas que já se desenhavam em anos anteriores, como a invasão dos assistentes pessoais digitais e os carros autônomos. Já os hardwares (gadgets) devem manter o protagonismo, com aparelhos de ponta representando o que há de mais futurístico na indústria.
Para as empresas, há soluções que podem ser implementadas hoje, de maneira simples, para melhorar a produtividade em várias áreas. Para as pessoas, as novas soluções indicam mais um passo rumo à consumerização, levando conforto e comodidade a um novo patamar. Conheça algumas inovações tecnológicas que devem ganhar destaque ao longo do ano.
1. Chatbots
O atendimento ao cliente, seja qual for o segmento de atuação da empresa, é algo que consome tempo e esforço. O uso de chatbots — softwares programados para responder a questionamentos previsíveis e apresentar uma solução imediata — é uma alternativa para desafogar o atendimento, aumentar o índice de resolução de problemas e facilitar o trabalho da empresa.
Nas redes sociais, em especial no Facebook, já existem ferramentas para a inclusão de chatbots nas páginas para o contato com os seguidores. Esse instrumento pode ser usado tanto para vendas quanto para o atendimento de demandas dos clientes.
O uso de algoritmos, por sua vez, permitirá que o atendimento se torne cada vez mais semelhante ao de um operador humano, aumentando o impacto no marketing de relacionamento de uma empresa. Esse novo grau de relacionamento entre consumidores e marcas será a tônica dos negócios nos próximos anos.
2. Inteligência artificial
Todos os dispositivos que usamos no cotidiano ficarão mais inteligentes. Não apenas computadores e smartphones, mas também óculos, geladeiras, máquinas de lavar e até potes para guardar alimentos. Com isso, deverão se tornar cada vez mais comuns os assistentes pessoais digitais — como a Alexa, da Amazon, um dos principais destaques da CES 2018.
O Google também tem investido pesado na tendência e lançou recentemente o Google Home Mini que, além do elogiado design, funciona de forma integrada a todos os serviços da companhia. Antes de sair de casa, você pode perguntar ao assistente se a previsão do tempo indica chuva para a sua região ou se o tráfego está lento.
Outras aplicações em inteligência artificial devem se consolidar em 2018 — desde softwares em carros autônomos até soluções para gerenciamento e otimização de processos nas empresas. Em breve, as máquinas serão inclusive capazes de tomar decisões de negócios com base em dados e no aprendizado de máquina (machine learning).
3. Wearables e smarthome
A internet das coisas vai invadir sua casa e, por que não, você. Dispositivos vestíveis (wearables) já não são invenções absurdas para o futuro. Camisas, óculos, relógios e outros itens do vestuário se tornarão mais inteligentes e estarão preparados para atender às mais exigentes demandas de comodidade.
Um dos nichos mais lucrativos será o de vestíveis que ajudam no cuidado com a saúde: monitoramento de batimentos cardíacos, de níveis de colesterol no sangue, e até do sono.
Tecnologias wearable não são destinada apenas a aplicações pessoais. A 3M, que investe aproximadamente US$ 1,8 bilhão por ano em P&D, desenvolve linhas de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) equipadas com a tecnologia. O resultado é uma melhor garantia da segurança e da saúde dos trabalhadores.
Um desses produtos é o respirador 3M Versaflo, um EPI com instrumentos motorizados de pressurização que garante o fornecimento de ar puro por meio de uma traquéia protegendo o trabalhador em ambientes de alto risco químico ou biológico. Uma tag RFID acoplada à vestimenta permite a leitura de todos os dados do equipamento por smartphone, conectando, via internet, a área, o operador e o EPI fornecendo dados importantes para as empresas. Dessa maneira, é possível mitigar o risco de acidentes de trabalho.
Aparelhos do lar, por sua vez, poderão ser controlados de maneira mais simples. Já pensou em ter uma geladeira que avisa, via smartphone, que determinado alimento está próximo da data de validade, além de indicar os nutrientes e quantidade de calorias ali presentes? Isso era novidade em 2015. Este ano, a CES deverá destacar a conectividade entre os diversos aparelhos.
Aparelhos do lar, por sua vez, poderão ser controlados de maneira mais simples. Já pensou em ter uma geladeira que avisa, via smartphone, que determinado alimento está próximo da data de validade, além de indicar os nutrientes e quantidade de calorias ali presentes? Isso era novidade em 2015. Este ano, a CES deverá destacar a conectividade entre os diversos aparelhos.
Espelhos e chuveiros são outros itens da sua casa que também poderão passar por mudanças essenciais movidas pela tecnologia.
4. Automação
Nas indústrias, a automação já é uma realidade há décadas. Nos escritórios, a história é um pouco diferente: o foco em processos e pessoas ampliou seu escopo para tecnologias há alguns anos. Inovações para automação nas empresas, como a Robotic Process Automation (RPA) são capazes de aumentar a produtividade em atividades baseadas em regras e ajudar as empresas a economizarem muito dinheiro.
Em 2018, a automação deverá acompanhar os processos de transformação digital nas empresas — tanto nas grandes quanto nas médias. Micro e pequenas empresas, que lutam para se manterem competitivas no mercado com poucos recursos, podem enxergar nessas tecnologias um diferencial competitivo.
5. Carros autônomos
Sentar-se em um carro dirigido por um software pode não ser a experiência mais tranquilizadora para quem já é acostumado a trafegar no trânsito caótico das grandes cidades. Mas carros autônomos têm sido alvo de grandes investimentos por parte das empresas — a Tesla é que mais se destaca —, tanto montadoras quanto as que oferecem caronas como serviço, a exemplo da Uber.
Para isso se viabilizar, outras tecnologias periféricas deverão ser desenvolvidas — como detecção de objetos, visão de máquina, por exemplo. A Nvidia, fabricante de chips e placas gráficas, anunciou recentemente uma parceria com a Volkswagen e com a Uber para o desenvolvimento de carros autônomos. Com o lançamento da Byton, marca de veículos criada para concorrer com a Tesla, devemos ver uma competitividade acirrada no setor — o que irá levar a soluções cada vez melhores.
As grandes empresas sabem que a inovação disruptiva virá de startups que dão agora os primeiros passos. Por isso, elas querem ajudar as estreantes a crescer
Programa de aceleração do Google, em São Francisco: mentoria e incentivos para startups de países emergentes | Divulgação /
Não eram nem 6 da manhã, os primeiros raios de sol iluminavam as ruas de São Francisco, na Califórnia, e o engenheiro Lucas Mendes já enfrentava sua terceira reunião com a equipe da Revelo, startup de recrutamento digital da qual é cofundador com o sócio Lachlan de Crespigny. Em pleno verão americano, a diferença de fuso horário entre a cidade americana e São Paulo, onde fica a sede da Revelo, era de 4 horas a menos. Do quarto do hotel, Mendes delegava via teleconferência tarefas ao pessoal de marketing e tecnologia antes de sua agenda do dia de fato começar. Ele era um dos 12 brasileiros que estavam no programa de aceleração de empresas do Google, o Launchpad, criado no início de 2016 e focado em países emergentes.
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Na quarta turma acelerada pelo Google, quatro brasileiras estavam entre as 33 empresas de 17 países: além da Revelo, participaram a Contabilizei, plataforma de contabilidade para pequenas empresas; o Guichê Virtual, que vende passagens de ônibus online; e a Arquivei, de gestão de dados fiscais. O programa, de seis meses de duração, incluiu um intensivão, em julho, de duas semanas em São Francisco, com mentores e especialistas de áreas como marketing e desenvolvimento de produto.
Além disso, o Google oferece 50.000 dólares para a startup gastar como quiser, 100.000 dólares em créditos para compra de serviços do próprio Google e a colaboração de executivos no período. “Quando está em São Francisco, o empreendedor consegue ver de perto o que é o ecossistema do Vale do Silício e interagir com outras startups que no futuro poderão ser parceiras ou clientes”, diz Roy Glasberg, líder do programa de aceleração de startups do Google.
Mendes e Crespigny, da Revelo: o selo de acelerada do Google trouxe novos clientes | Fabiano Accorsi
A rotina da turma que EXAME acompanhou no espaço do Launchpad foi puxada, com mais de 10 horas diárias de reuniões, palestras e rodadas de mentoria. O objetivo: melhorar o produto de startups que já estão no mercado mas ainda não ganharam escala, durante as duas semanas que os fundadores e os principais executivos passaram no Vale do Silício. Por isso, os times locais estavam em alerta para testar as sugestões dos mentores. “Uma mudança no produto que poderia facilmente consumir dois meses para ser testada no Brasil aqui tem de se provar em dias. A velocidade no Vale do Silício é outra”, disse Mendes na ocasião. Depois que ele voltou de lá, no final de julho, a Revelo recebeu 14 milhões de reais do fundo Valor Capital e do grupo australiano de recrutamento Seek. Além disso, o selo de empresa acelerada pelo Google trouxe novos clientes, como o Hospital Albert Einstein, a Ambev e a Cielo.
Para as startups que participam do programa do Google, que já gastou 7,5 milhões dólares com a iniciativa, as vantagens são grandes. Além de mentores, acesso a especialistas e à tecnologia, as startups acabam tendo contato com fundos de capital de risco e outros potenciais investidores. Mas qual é a vantagem para uma empresa como o Google, que faturou nada menos que90 bilhões de dólares em 2016, apoiar novatas que ainda brigam por um lugar ao sol? Não é preciso ir longe para encontrar a resposta.
Em 1998, os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, ainda estudantes da Universidade de Stanford, receberam o primeiro cheque de 100.000 dólares de um investidor e montaram oficialmente a empresa numa garagem da cidade de Menlo Park, na Califórnia. Em 2006, as maiores companhias do mundo em valor de mercado eram petroleiras. Agora, cinco companhias de tecnologia encabeçam o ranking das maiores, liderado pela Apple, avaliada em 898 bilhões de dólares e seguida pela Alphabet, dona do Google, com 720 bilhões. É consenso que a inovação disruptiva do futuro virá de startups que podem nem ter nascido ainda. E as grandes de hoje já foram iniciantes um dia.
Cristina Junqueira e David Velez, sócios do Nubank: a fintech brasileira vai ser acelerada pelo Google em 2018 | Caio Guatelli
Outra razão para investir no ecossistema de inovação é bem prática. Muitos produtos do Google são direcionados para desenvolvedores de novas tecnologias. “Se uma startup constrói produtos para o Android, sistema operacional de celulares do Google, isso é obviamente interessante para a companhia”, diz José Papo, gerente de relacionamento do Google com desenvolvedores e startups na América Latina.
A companhia não ganha dinheiro diretamente com o Android, pois é um sistema com código aberto, que pode ser modificado pelos desenvolvedores e ninguém precisa pagar nada por ele, mas fatura — e muito — com o licenciamento de outros produtos, como o Google Maps. Ou seja, incentivar uma iniciante a usar sua plataforma tecnológica é uma forma de conquistar mercado no futuro, quando essa startup ganhar musculatura. No Launchpad, ninguém é obrigado a usar os produtos da companhia, mas os 100 000 dólares em crédito de produtos são um incentivo a que pouca gente resiste.
Na próxima rodada de aceleração, agendada para janeiro, o programa deverá dar mais ênfase à inteligência artificial. Isso fez com que o Google selecionasse pela primeira vez startups brasileiras mais maduras. O Nubank, fintech — empresa de tecnologia da área financeira — mais badalada do país, é uma das escolhidas, juntamente com a Loggi, de entrega por motoboys, e com a Zap Viva Real, de classificados digitais de imóveis. “Escolhemos startups com grande base de dados que podem explorar melhor as possibilidades do machine learning”, diz Papo.
Com 2,5 milhões de clientes e outras 500.000 pessoas na lista de espera, o Nubank teve uma receita de 237 milhões de reais no primeiro semestre deste ano, e é uma das apostas para ser o primeiro “unicórnio” — empresa avaliada em mais de 1 bilhão de dólares — do Brasil. A empresa foi convidada a participar do programa de aceleração, que prometeu a seus fundadores adaptar parte da agenda para atender aos interesses do banco digital. “Além de inteligência artificial, queremos entender como o Google trabalha a escalabilidade de áreas como recursos humanos”, diz David Vélez, presidente e um dos fundadores do Nubank.
Toque para ampliar
O Google não é o único gigante a apostar no que se convencionou chamar de aceleradoras corporativas de startups. Microsoft, IBM, Oracle e Cisco têm programas semelhantes focados no desenvolvimento de startups. Corporações que originalmente não têm nada a ver com o Vale do Silício, como Coca-Cola, Airbus e Disney, também criaram aceleradoras. Esse tipo de estrutura de apoio ao empreendedor digital é recente. Criada em 2005 em Boston e depois transferida para São Francisco, a Y Combinator é considerada a primeira aceleradora do mundo a impulsionar negócios inovadores com alto potencial de crescimento — e continua a ser uma das mais relevantes, com quase 1.500 startups aceleradas.
Boa parte das aceleradoras que vieram na sequência foi bancada por investidores individuais e fundos de private equity, que aportam valores baixos em troca de participação acionária na startup, em geral de 5% a 7% do capital. Em troca, oferecem apoio técnico e educacional, gestão e até um espaço de trabalho. E só ganham dinheiro se a startup der certo, vendendo suas ações para outros investidores. Ou seja, achar o próximo Airbnb ou Dropbox — ambas impulsionadas nas fases inicias pela Y Combinator — é a obsessão desse mercado. Nos últimos três anos, as grandes empresas despertaram para a criação dos próprios modelos de aceleração.
Recentemente, a americana Gust, plataforma digital de gestão de investimento em -startups, lançou um relatório que mapeia o cenário de aceleradoras no mundo. Existem 579 programas de aceleração, que já ajudaram mais de 11 000 novatas a ganhar escala. Mais da metade dos programas é financiada total ou parcialmente por grandes companhias — e isso deve crescer. Se no passado quase a totalidade das aceleradoras dependia da venda de ações para fechar as contas, o índice caiu para 33%. Isso porque o movimento de saída é lento e pode levar até dez anos. “Hoje, o modelo de aceleração faz mais sentido para uma corporação, pois ela não depende do retorno do capital investido, que é um valor ínfimo perto dos investimentos totais”, diz o húngaro Miklos Grof, um dos autores do estudo da Gust e investidor em espaços de trabalho compartilhados no Brasil.
Evento de desenvolvedores da Microsoft: no Brasil, a empresa de Bill Gates quer financiar startups | Elaine Thompson/AP Photo
O temível “efeito Kodak” é um dos principais motivadores para as grandes empresas se aproximarem das startups. Ninguém quer ser surpreendido por uma tecnologia que acabe com seu negócio da noite para o dia, como foi o caso da fabricante de produtos fotográficos analógicos que não conseguiu antever a rápida ascensão da fotografia digital. Por isso, muitos programas de aceleração miram startups que criam produtos nas áreas de atuação da companhia patrocinadora.
A Oracle, empresa de softwares corporativos, lançou neste ano seu programa de aceleração em oito cidades globais — São Paulo está entre as escolhidas. Um dos focos é encontrar startups com boas soluções de computação na nuvem, área que já representa 51% do faturamento da Oracle. Na versão brasileira do programa, seis startups foram selecionadas para receber mentoria, ter acesso gratuito a produtos da Oracle e utilizar seu espaço de trabalho compartilhado, que fica perto da sede da empresa justamente para aproximar empregados de empreendedores . “A expectativa é que a cultura de inovação das startups, que têm processos mais ágeis, acabe influenciando de forma positiva os funcionários da empresa”, diz Rodrigo Galvão, presidente da Oracle no Brasil.
Do ponto de vista das corporações, acessar a inovação por meio de startups é também uma forma segura de pisar em terrenos incertos. “É compreensível que uma grande empresa seja cautelosa no foco de inovação, pois ela passou anos desenvolvendo uma marca e precisa proteger seu negócio”, diz Ron Yerkes, diretor da aceleradora SAP.iO Foundry, patrocinada pela empresa alemã de software SAP, nos Estados Unidos. “Já as startups estão inovando num ritmo muito mais rápido e podem se arriscar em tecnologias completamente desconhecidas.”
Laboratório da Dasa: várias frentes para se ligar com startups de saúde e inovar | Germano Lüders
Apesar de parecer que todo mundo sai ganhando, há riscos para ambos os lados. Startups são, por definição, negócios de alto risco. A mortalidade dessas empresas é altíssima: no Brasil, 74% fecham as portas após cinco anos. Por isso, as corporações precisam estar preparadas para o fato de que aquela ideia brilhante, criada por um time jovem e empolgado, simplesmente pode não dar certo.
Outro risco é o choque de cultura. Companhias tradicionais podem não estar preparadas para a velocidade que os negócios digitais exigem e acabar engessando a relação com essas empresas. “Se a startup precisa entrar na fila de suprimentos para receber um material, já deu errado”, diz Pedro Waengertner, da Ace Startups, aceleradora que criou programas específicos para algumas empresas tradicionais, como a Braskem. “Se uma grande empresa quer trabalhar com uma startup, tem de buscar uma afinidade de cultura, caso contrário, ambas acabam frustradas.”
Não existe, porém, um modelo único de aproximação entre esses dois universos. O ecossistema de inovação hoje no Brasil é composto de diversas camadas: há desde a turma de uma ideia na cabeça e sem um produto viável até empresas estruturadas que já sabem como e onde querem chegar mas precisam de financiamento para isso, sobretudo na faixa dos 500.000 aos 2 milhões de reais. É justamente nesse segmento que a Microsoft quer atuar.
No exterior, a empresa de Bill Gates é dona de uma das maiores aceleradoras corporativas do mundo, por onde já passaram 647 startups. No Brasil, quer ajudar as novatas com dinheiro. Para isso, montou o fundo BR Startups, com capital de 27 milhões de reais, do qual são sócias também Qualcomm, BB Seguridade e Grupo Algar, entre outras empresas, e que foi estruturado para atuar em diferentes áreas, como finanças e agronegócio.
Em setembro, a Tbit, empresa que analisa imagens de grãos, sementes e folhas, recebeu 1 milhão de reais do fundo e da empresa de biotecnologia Monsanto, outra sócia da BR Startups. “O que acontece no Brasil é que muitas empresas passam pela fase de aceleração, estão prontas para os próximos passos, mas não têm recursos para seguir em frente”, diz Franklin Luzes, vice-presidente da Microsoft Participações.
Y Combinator, em São Francisco: a aceleradora recebe ações de startups em troca de ensinamentos | Divulgação
O fato é que cada vez mais grandes empresas querem se associar a startups. O laboratório Dasa, por exemplo, aposta em diferentes formas de trabalhar com elas. Em agosto, anunciou uma parceria com o Cubo, espaço de trabalho financiado pelo banco Itaú e pelo fundo RedPoint eventures. A Dasa bancará um andar do novo prédio do Cubo apenas para abrigar startups da área de saúde. Essas companhias poderão utilizar — para fazer testes clínicos, por exemplo — a capacidade ociosa nos laboratórios e nos hospitais do grupo (a família Bueno, principal acionista da Dasa, é dona também da Ímpar, que tem nove hospitais). “Uma grande empresa não consegue ser tão ágil e eficiente quanto uma startup quando se trata do desenvolvimento de novas tecnologias em saúde”, diz Pedro Bueno, presidente do laboratório.
Outra frente criada dentro da Dasa são as chamadas células ágeis, espécie de startups dentro da própria companhia. Para elas, são colocados desafios relacionados aos negócios do grupo, como aumentar em 20% os agendamentos de exames de ultrassom pela internet. Hoje, existem 15 células em operação, mas a meta é ter 40 em 2018. Bueno é quem também está liderando os investimentos da família por meio do fundo DNA Capital, com cerca de 200 milhões de reais separados para focar empresas de biotecnologia. Duas delas já receberam investimento do DNA Capital: a americana Arterys, de inteligência artificial em radiologia, que fica no Vale do Silício, e a brasileira Beep.
No caso da startup nacional, que recebeu 5 milhões de reais em agosto, o foco é o atendimento médico em domicílio. Com 800 médicos cadastrados, as consultas são agendadas pelo site ou via aplicativo. A breve chegada da Beep ao universo da Dasa já mexeu com a empresa. “Vimos que havia uma oportunidade de oferecer vacinas pela plataforma, com a aplicação no laboratório. Em dois meses, as vendas de vacinas da Dasa aumentaram cerca de 5% com a ferramenta”, diz Bueno. Quando há afinidade entre um gigante do mundo empresarial e uma startup de tecnologia, o céu é o limite para os novos negócios que podem ser gerados.
Primeira etapa do projeto vai levar 15 empresas para imersão em Paris
O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), o Sebrae e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) lançam na próxima sexta-feira, dia 24 de novembro, o novo programa de internacionalização de startups.
Durante a cerimônia, que será realizada no CO.W., em São Paulo, serão apresentadas as diretrizes do projeto, que prevê capacitação e uma série de missões nos próximos anos para apoiar empresas iniciantes. Elas vão conhecer e poderão se integrar a ecossistemas de inovação em cidades como Berlim, Lisboa, Miami e Paris, primeira etapa do projeto a ser realizada na primeira semana de dezembro deste ano.
Participam do painel de abertura o presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe; o chefe do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos do MRE, Ministro Carlos Alberto França; o secretário de Inovação e Novos Negócios do MDIC, Marcos Vinícius; a diretora técnica do Sebrae, Heloisa Menezes; e o vice-presidente da Anprotec, José Alberto Sampaio Aranha. O evento também terá a apresentação de cases e debates com empreendedores que já iniciaram processos de internacionalização.
Serviço – Lançamento do novo projeto para internacionalização de startups Data: 24 de novembro, sexta-feira Horário: 9h às 12h Local: CO.W Berrini - Rua Jaceru, 225 – Brooklin, São Paulo
Agenda 9h – Welcome Coffee 10h – Abertura 10h5 – Painel: Programa Brasileiro de Apoio à Internacionalização de Startups - StartOut Brasil 10h35 – Apresentação de Case 10h50 – Painel: A Experiência de Imersão em Mercados Internacionais 11h30 – Key Note – Por que ousar ser global? 12h – Encerramento
Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições
Qualquer empresário te dirá que abrir e manter seu próprio negócio é fácil. Mas, por que empreender é tão difícil? Em uma pesquisa realizada em 2016 com quase 1000 empreendedores brasileiros, foram levantados os principais desafios que eles encontraram em sua trajetória. Independentemente do perfil do empreendedor, as mesmas categorias de desafios acabaram ficando nas primeiras posições. Então vamos aos cinco maiores desafios identificados:
1. Mão de Obra: Sem ela o seu negócio não anda, mas mão de obra qualificada sai caro. Encarar o dilema entre pagar mais caro por um profissional qualificado ou investir na qualificação de um profissional foi o maior desafio enfrentado pela grande maioria dos novos empreendedores. Nossa dica: é preciso encontrar um equilíbrio entre motivar seus funcionários e investir neles. Profissional motivado e qualificado trabalha melhor e eleva a qualidade de seus produtos ou serviços.
2. Gestão financeira: Muito novos negócios fecham nos primeiros anos de existência porque contraíram muitas dívidas, e o problema é a má gestão financeira. Não calcularam antecipadamente todos os custos do negócio, não planejaram bem as receitas e, o principal, não tinham conhecimento sobre gestão financeira. Nossa dica: fuja dos empréstimos bancários, avalie muito bem os seus custos e faça um bom planejamento (bem conservador) da receita futura. Se tem dificuldades, procure um profissional ou sócio com experiência.
3. Burocracia (Jurídico e regulação): Não é segredo para ninguém: a legislação brasileira não facilita para quem quer abrir seu negócio, os impostos levam quase todo seu lucro. Tanto que o maior obstáculo apontado pelos empreendedores está nos impostos. Nossa dica: procure um contador, explique muito bem o seu negócio, seus produtos ou serviços, e encontrem a melhor solução. E lembre-se, sempre coloque na sua conta final o pagamento dos impostos.
4. Inovação: As empresas identificaram que a velocidade com que a inovação muda o conceito dos consumidores, não só na área de produtos e serviços, mas também na forma como serão solucionados os problemas encontrados no cotidiano de cada negócio, é um desafio para as novas empresas. Nossa dica: Esteja sempre preparado para as novas mudanças do mercado, atualize-se sempre e aceite modificar o seu negócio. Sem mercado, nenhuma empresa sobrevive.
5. Marketing: A falta de estratégias de marketing é outro desafio para a grande maioria das empresas, muitas delas por falta de experiência, capacitação ou profissionais da área. Nossa dica: o Marketing concentra a inteligência competitiva e estratégica da empresa, analisando todo o mercado. Busque um profissional competente ou uma empresa de consultoria e estabeleça claramente quais as estratégias para atender a necessidades e desejos dos seus clientes.
Muitas vezes é complicado para o jovem empresário entender todos esses conceitos e a importância deles dentro do seu negócio quando se está ingressando no mercado. Antes de encarar qualquer novo desafio busque capacitar-se. Por meio do conhecimento é possível elevar a sua ideia para um outro nível, tornando o seu negócio muito mais competitivo. Aprenda com quem já sabe, a experiência dos outros pode ser extremamente valiosa.
Charles Bonissoni — Sócio fundador do Grupo WDS, maior grupo de entretenimento do Brasil, detentor da marca Wood´s, e mentor do Projeto Jovem Empresário.
É a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup
Sempre que se fala em startup, fala-se em inovação. Mas, tem um assunto que gosto muito e que, na minha opinião, é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento: pessoas! Pois, não existe inovação sem pessoas.
Como todo empreendedor sabe, criar uma startup é um trabalho árduo. O que normalmente ouvimos é: “eu tenho uma superideia inovadora, fiz pesquisas e identifiquei que existe uma real necessidade no mercado. Fiz meu plano de negócios, validei conceito, conversei com muita gente etc”. Mas, você já se perguntou se o investidor (Venture Capital ou anjo) concorda com você?
Com tantos fatores em jogo e pesquisas indicando que até 90% das startups falham, como você faz tudo isso funcionar e dar certo? O segredo está em prestar muita atenção e dedicar tempo às pessoas com as quais você convive e trabalha.
Uma ótima ideia quase sempre é o catalisador para colocar as coisas em movimento, porém, no final do dia, é a equipe que você tem ou contratou que, em última instância, determinará o sucesso ou o fracasso da sua startup. Então, aqui vão algumas dicas:
1. Compartilhe sua visão. Ao contratar os primeiros funcionários, você, provavelmente, não estará oferecendo grandes salários e benefícios corporativos. Você está apostando que os outros vão querer se juntar ao seu projeto e sonhar o seu sonho, portanto, é extremamente importante que eles acreditem que o sonho é alcançável. Como fundador, você deve compartilhar sua visão de longo prazo. O entendimento da visão geral e essa crença fazem com que o seu propósito seja válido para um potencial empregado.
2. Conheça suas fraquezas. Se você é o único fundador ou tem parceiros, é importante identificar suas fraquezas. Faça um balanço dos vazios em suas habilidades e dê prioridade às posições que você precisa contratar primeiro. Por exemplo, se você (ou seus fundadores) são experientes em tecnologia, mas não tem habilidades para vender um produto, você vai querer encontrar rapidamente alguém que o faça . Reconhecer essas necessidades desde o início economizará muito tempo extra na estrada. Além disso, verifique se você está ciente de quais papéis têm mais sentido para sua startup.
3. Dê atenção à sua rede. Não são apenas as pessoas de dentro da empresa que são fundamentais para o crescimento do seu negócio, são também as pessoas que você traz de fora. Os mentores, os conselheiros informais, e os membros do conselho (quando for o caso) não são apenas para mostrar. Eles desempenham um papel importante na ajuda para guiá-lo tanto pessoal como profissionalmente. Cultive suas redes individuais para encontrar especialistas da indústria e veteranos que possam aconselhar com o olhar e a experiência de alguém que já passou por isso antes.
4. Seja criativo ao contratar. Você tem seu time, mas, agora, é hora de encontrar as pessoas que ajudarão a impulsionar o sucesso do dia-a-dia da sua startup. Os recrutadores são ótimos, entreteno, se você deseja encontrar as melhores pessoas para sua startup, planeje fazer algumas incursões você mesmo para achar a pessoa certa. Faça uma lista de habilidades profissionais e traços de personalidade que deseja em sua equipe e, então, procure-os ativamente.
5. Lembre-se de que não há ‘eu’ na equipe. À medida que você começa a contratar esses novos talentos, é importante que cada membro da equipe tenha a oportunidade de fornecer feedback durante o processo de contratação.
6. Construa a cultura que você deseja. Ao contratar, lembre-se de mobilizar a equipe em torno de sua causa. Construa uma cultura que se preocupe com suas pessoas e o entorno, que esteja unida em torno de uma visão compartilhada.
Por fim, lembre-se: ninguém faz sucesso sozinho!
*Altair Assumpção é empreendedor, investidor-anjo e mentor da Spin Aceleradora de Startups.
Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa
Contar sobre os desafios que tive nesses seis anos à frente do GetNinjas tem sido uma tarefa cada vez mais frequente e estimulante. Ao compartilhar minha experiência, também aprendo muito. Venho colecionando as dúvidas e sugestões das centenas de pessoas, de empresas tradicionais ou iniciantes, que encontro em eventos, palestras e painéis. De forma geral, acabam sendo muito parecidas, o que me inspirou a compartilhá-las para que mais pessoas e negócios sejam impactados.
Sempre começo minhas palestras contando os motivos que me levaram a trocar um emprego formal, no mercado financeiro, pela aventura de empreender. Sim, falo que é uma aventura, porque os desafios são muitos, o que exige do empreendedor um perfil profissional mais disposto a assumir riscos para propor novas ideias ao mercado.
Cada vez mais empresas tradicionais nos sondam em busca de inspiração. Esse perfil mais ousado, que tenta algo diferente do que já é feito, que testa, é algo que elas ainda não sabem como adotar, mas precisam aprender para inovar em seus segmentos de atuação.
Seleção de talentos
Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa. E, acima de tudo, ter pessoas apaixonadas por criar negócios inovadores e com potencial de escalar e dominar o mercado.
Remuneração
É muito importante que todos colaboradores tenham uma participação ativa na empresa, o que é possível oferecendo ao funcionário a possibilidade se tornar acionista da empresa, numa combinação de salário e equity. Isso ajuda a gerar o sentimento de dono e motivar as pessoas a darem o melhor para ver a empresa crescer e serem recompensadas pelos esforços no futuro.
Propósito de negócio
Não é só com equity que se motiva uma equipe. Mostrar para o time o impacto gerado pelo nosso negócio, é o melhor estímulo para que as pessoas se dediquem a dar o melhor de si. Isso pode ser incentivado por meio de projetos de comunicação, usando vídeos, texto ou quadros espalhados pelas paredes do escritório, por exemplo, para contar histórias de sucesso dos usuários do seu produto ou serviço.
Organização dos times
Para continuar crescendo rapidamente e ajudar muito mais profissionais a terem clientes fieis, startups do mundo inteiro, incluindo as que já cresceram muito – como Uber, Netflix e Airbnb, uma estrutura de organização de times chamada Squad. Criada pelo Spotify, esse método propõe a divisão dos times em pequenos grupos com missões bem definidas sobre o produto. No GetNinjas, por exemplo, temos squads de aquisição, experiência do usuário, receita e marketing. Em cada um desses times, há pessoas de tech, produto, design, BI e conteúdo, o que os torna bem completos e independentes.
Outra metodologia bastante adotada por startups, e que ajudou o Google a se estruturar e crescer, é o OKRs (Objectives and Key Results). Criada pelo ex-CEO da Intel, o OKR é uma forma de se definir, medir e reavaliar resultados num curto prazo, 3 meses. Isso garante aos times manter um direcionamento e independência maior na execução dos projetos já pré-definidos e estipulados, o que permite tomar decisões mais rápidas para um crescimento contínuo do negócio.
Clima Organizacional
Outro ponto importante sobre um negócio de sucesso é o bem-estar da equipe. Para isso, o time de Recursos Humanos precisa ser bastante ativo e criativo. Sempre cito nas minhas palestras, as iniciativas lideradas pelo nosso RH, que visam melhorar a comunicação entre os times. Como exemplo, temos o Papo Reto, um encontro mensal com uma conversa informal que ajuda no desenvolvimento e satisfação de toda a empresa.
Outras ações do RH, que também contam com participação e engajamento de todo time são os Embaixadores da Cultura e o Gente Ninja. Os embaixadores são formados por um grupo de cerca de 10 funcionários que se reúnem periodicamente para construir uma cultura empresarial viva e ativa, que ajude a disseminar os propósitos da empresa para todos funcionários. O Gente Ninja é outro grupo que discute sobre tudo que engloba diversidade dentro e fora da empresa.
Com essas ideias de ações, empreendedores novos e também os mais tradicionais podem pensar em como trazer ideias simples e ativas para dentro das organizações a fim de estimular o poder criativo dos times e motivar a produção.
Iniciativas como essa são importantes para levarmos para empresários de todo país propostas inovadoras e de alto impacto social e econômico. Assim, mostrando como startups lideradas pela nova geração estão revolucionando a forma de se gerenciar e como indústrias de segmentos mais tradicionais podem impulsionar seus negócios com iniciativas simples, mas de grande impacto.