O centro, desenvolvido pelos governos regional e federal, terá detalhes anunciados nesta terça-feira 17.10.2017
Google: segundo a fonte, a Alphabet também transferirá a sede do Google Canadá para o local (Krisztian Bocsi/Bloomberg)
Toronto – A Alphabet, controladora do Google, será a principal inquilina em um imóvel desenvolvido em Toronto pelos governos regional e federal, e transferirá a sede do Google Canadá para o local, informou uma fonte nesta terça-feira.
O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau anunciará o acordo em Toronto nesta terça-feira, com o presidente do conselho da Alphabet, Eric Schmidt, e o chefe do Sidewalks Labs, unidade de inovação da Alphabet, Dan Doctoroff, disse a fonte do governo que não está autorizada a discutir os planos antes do anúncio formal.
A realidade é que não existe fórmula mágica para ter um negócio de sucesso e cada um inventa seus caminhos, mas algumas dores são comuns a todos e juntos podemos minimizá-las
Já faz um tempo que a palavra empreendedorismo não sai da boca do brasileiro. Ser ou não ser, eis a questão! O fato é que o Brasil é um país onde o empreendedorismo pulsa na veia, uma vez que, segundo a UnitFour, o número de empresas abertas em 2016 cresceu 20% em relação ao ano anterior.
Seja por necessidade ou por vontade própria, empreender é uma árdua caminhada e exige muita dedicação. Aos olhos de quem está de fora é bacana, rentável e sinônimo destatus, mas visto de dentro, todo empreendedor sente na pele o real custo de ter o próprio negócio.
Nem uma vida inteira é capaz de nos ensinar tudo o que precisamos para superar as barreiras, adversidades e medos. Cada dia aprendemos um pouco mais e buscamos errar um pouco menos. Se eu pudesse dar alguns conselhos aos meus colegas empreendedores, seriam:
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· Divulgação é fundamental: vender o próprio peixe nunca foi tão importante, portanto use todos os canais que estiverem ao seu alcance para divulgar sua marca, seus serviços e sua expertise. Esteja fortemente ativo nas redes sociais, tenha um blog e alimente-o com informação relevante, busque espaço nas revistas, jornais e rádios, faça parcerias com influenciadores do seu meio.
· Você é sua empresa e sua empresa é você: queira ou não, a partir da decisão de empreender, o seu negócio fará parte de quem você é e não há como separar. Além de promover sua empresa, também use do seu marketing pessoal, afinal, você é o cérebro e máquina central do negócio. Esteja sempre orquestrado com os objetivos da sua marca para que você consiga alcançar as metas traçadas.
· Networking é tudo: independentemente da área de atuação, ter uma rede de contatos é fundamental para o crescimento do negócio, uma vez que esse relacionamento propicia troca de informações, experiências, conhecimentos e indicações de forma natural e mútua. A sua dor de hoje pode ter sido de outro empreendedor no passado, trocar conhecimento é combustível para gerir uma crise ou criar novas oportunidades.
· Planejamento é a alma do negócio: pode parecer chato, burocrático e pouco prático, mas o planejamento norteia o crescimento e as decisões da empresa. Abrir mão dessa ferramenta é assumir o risco de que tudo pode dar errado. Ele não é a fórmula mágica para um negócio de sucesso, mas é a bússola.
· Reinvente-se: o mercado muda em uma velocidade surpreendente e, para ter um negócio inovador, é fundamental que o empreendedor se reinvente constantemente. Invista em você, estude muito, esteja sempre em contato com seus clientes e com as tendências da sua área. Amadureça o profissional que está coberto por uma grossa camada de “empreendedor faz tudo”. Não caia na rotina e alimente diariamente sua sede de dar certo.
A realidade é que não existe fórmula mágica para ter um negócio de sucesso e cada um inventa seus caminhos, mas algumas dores são comuns a todos e juntos podemos minimizá-las. Outro fato é que sempre vão dizer que ter o próprio negócio é moleza, não ter chefe é uma maravilha e fazer o próprio horário é um sonho, mas poucos sabem que para dar certo é preciso trabalhar mais do que dormir ou curtir o happy hour com a galera do trabalho na sexta-feira à noite.
Feliz Dia do Empreendedor para quem sabe o que é abdicar de mil coisas em prol da realização de um sonho!
Thamiris Rezende — Jornalista, fundadora da HUG Comunicação Corporativa e empreendedora persistente.
Como princípio deveríamos calcular o valor das startups da mesma forma como calculamos o valor das empresas maduras. Contudo, a valoração é mais difícil pela maior incerteza com relação ao seu futuro
Há risco de startups não conseguirem iniciar suas operações ou de não se desenvolverem. Seus modelos de negócios podem ser copiados ou mesmo não atraírem pessoas e clientes. As incertezas são diversas e tendem a estar associadas a mudanças de mercado ou mesmo à reação de concorrentes.
Apesar de usarmos matemática para calcularmos o valor das companhias, grande parte do processo esta relacionado à imaginação. Calculamos o valor das companhias imaginando como será o seu futuro em termos de geração de caixa.
Quando possuímos um histórico ou um comparativo é mais fácil para imaginarmos o que pode acontecer. Porém, valuation (avaliação de empresas) é baseada em uma percepção de futuro, ou seja, não se pode afirmar o que efetivamente vai acontecer. Sendo assim, como há risco daquilo que imaginarmos para o futuro não acontecer, não há como afirmarmos com certeza quanto uma empresa realmente vale.
Um dos maiores mitos em relação à valuation é o de que há um valor justo para as empresas.
Valor justo não existe, é uma ilusão pois valuation não é uma ferramenta de precisão. O que calculamos é um valor baseado em nossas próprias percepções de futuro em relação à companhia.
Como percepção é algo muito particular, cada um pode perceber um valor diferente e propor um preço que muitas vezes não atende o valor que imaginamos.
Mas para que serve valuation? Geralmente as pessoas acreditam que seu objetivo é exclusivamente o de calcular o valor. O real objetivo deveria ser o de calcularmos um intervalo de valor que estaríamos dispostos a negociar nossa companhia. Utilizamos esta ferramenta geralmente quando queremos captar dinheiro de investidores ou mesmo quando queremos vender nossos ativos.
Companhias valem pela sua capacidade de gerar caixa e não pelo valor do seu patrimônio. Basicamente queremos saber quanto uma empresa vale hoje baseado em como se desenvolverá no futuro. Quanto maior for o seu potencial de geração de caixa e menor os riscos envolvidos, maior é o seu valor.
O valor muda com frequência, seja a cada evolução operacional, mudança de mercado ou pelo lançamento de um novo projeto, mesmo que este seja apenas uma ideia.
Quanto maior o crescimento percebido, maior o valor das companhias. Quem cresce mais, vale mais. Geralmente o crescimento está relacionado à capacidade das companhias de se diferenciarem e de manterem seu nível de competitividade.
Os métodos para avaliação de empresas geralmente utilizam conceitos de matemática, contabilidade e finanças, o que nos faz inferir que são totalmente quantitativos e que bastam apenas números para calcularmos os valores. Entretanto, este é mais um mito sobre valuation, pois apesar de a maioria dos modelos serem quantitativos, a decisão de investimentos pode ser em grande parte qualitativa e principalmente relacionada aos riscos envolvidos no seu desenvolvimento.
Investidores costumam dizer que avaliar companhias em estágio inicial é parte ciência e parte arte. A arte de calcularmos o valor das empresas está em como determinamos as premissas que usaremos nos modelos matemáticos, sendo que estas premissas podem ser quantitativas, qualitativas e até subjetivas. Evidentemente que todas devem se refletir em números. Contudo, como explicar as premissas de forma realista é das questões mais importantes e fator crítico para a qualidade do valuation.
Há diversos modelos de avaliação, quantitativos e qualitativos, contudo nenhum deles é perfeito para avaliarmos companhias startup, assim, eles podem ser complementares na análise. Para se avaliar empresas startup, a combinação de modelos pode trazer importante visão, não somente de valor, mas principalmente dos riscos.
O modelo do fluxo de caixa descontado é dos modelos quantitativos mais utilizados e eficazes para a avaliação de empresas. Consiste em calcular o valor presente de um fluxo de caixa projetado de uma companhia, considerando todo o seu potencial de crescimento. Baixe aqui uma ferramenta exclusiva para fazer o cálculo do valuation a partir do fluxo de caixa descontado.
O processo de análise começa com a formação de uma história que descreve como a companhia se desenvolverá. Para isso, é importante uma visão sobre o que esta companhia já realizou e como ela está inserida dentro de sua arena competitiva. A história deve conter um cenário de desenvolvimento que considera seus principais direcionadores de valor, ou seja, quais os aspectos e premissas mais importantes que vão determinar o seu desenvolvimento ao longo dos anos.
Com o cenário de desenvolvimento desenhado, monta-se uma projeção de resultados e de fluxos de caixa futuros da companhia que será descontado por uma taxa que represente o seu custo do capital. Esta taxa de desconto reflete o custo que os investidores e financiadores cobrarão da companhia em função do seu risco. Companhias menos arriscadas requerem menores taxas de desconto.
Há diversos desafios a serem superados para uma boa avaliação de empresas startup. Conseguir informações confiáveis e estimar taxa de crescimento, tamanho de mercado, taxa de desconto e a margem operacional, são alguns dos desafios a se superar, o que pode inclusive determinar a qualidade da avaliação.
Muitos acham que o valor das startups não está principalmente associado aos seus resultados, mas à sua capacidade de crescer aceleradamente. Cuidado. Sem resultados no curto prazo, dificilmente as empresas conseguirão atingir a maturidade.
Começar uma companhia num setor de alto potencial é importantíssimo para atrair investidores, porém não se iluda somente com o enorme valor que as projeções podem apresentar.
Procure justificar como a empresa executará seu plano de negócios para realmente conseguir criar todo o valor que a avaliação apresentou. Lembre-se: a arte de avaliar bem as companhias está no potencial de imaginarmos o seu futuro, mas é imprescindível que nossa imaginação também preveja uma argumentação consistente, especialmente em relação às premissas utilizadas.
Artigo de Ricardo Mollo, CEO da Brain Business School, publicado originialmente na página da Endeavor
Não importa o segmento. Seja uma empresa de telefonia, tecnologia, eletricidade ou logística, a última milha é sempre o trecho mais complexo e caro do percurso. Um cenário que pode mudar para as corporações que buscam na bicicleta uma aliada eficiente e sustentável. A Amazon é um bom exemplo. A gigante do comércio eletrônico inovou na estratégia e diminuição dos custos e desenvolveu um serviço de entrega realizada no mesmo dia da compra em San Francisco (EUA), usando mensageiros de bicicleta.
Rápidos e eficazes, cada vez mais, os bike couriers distribuem produtos para empresas de produtos e serviços. Congestionamentos e estacionamentos lotados, que são gargalos para veículos motorizados, não atrapalham os ciclistas que transportam praticamente tudo, desde documentos, roupas, livros, cosméticos, eletrônicos, até alimentos. Poucos sabem que um bike courier profissional pode fazer de 20 a 30 entregas por dia, pedalando em média 80 km e que quatro bicicletas podem substituir um automóvel Fiorino.
Cada entrega, que deixa de ser feita por um motoboy ou outro veículo poluente, e que passa a ser feita em uma bicicleta, evita a emissão de barulho e de diversos poluentes, principalmente o CO2, causador do chamado efeito estufa, que afeta diretamente a saúde de todos nós.
Considere que, em uma cidade como São Paulo, que não possui queimadas de florestas ou fábricas com chaminés, praticamente toda a poluição vem dos veículos. Portanto, não dá para falar em desenvolvimento sustentável e respeito ao meio ambiente sem tratar de logística e mobilidade inteligente. E é justamente aí que as empresas podem quebrar paradigmas e adotar esse tipo de modal. Essa iniciativa tem enorme repercussão na qualidade de vida das pessoas afinal, somente na capital paulista existem mais de 220 mil motoboys despejando anualmente centenas de milhares de toneladas de diversos poluentes ao nosso redor.
Para ampliar a produtividade podem-se utilizar furgões 100% elétricos, tanto para coletar uma grande quantidade de produto a ser distribuído por ciclistas a partir de uma base, quanto para levar mercadorias para regiões mais distantes, que são entregues a bikers estrategicamente posicionados.
Independente do segmento ou porte da empresa, criar eficiência em toda a parte logística resultará na redução de custos com a última milha.
* Leonardo Lorentz é gestor da Carbono Zero Courier
Inovação é o conceito de introduzir novidades, renovar, inventar ou criar
Uma inovação disruptiva traz grandes impactos no mundo aos negócios, mas é apenas um complemento dentro de todo o conceito sobre o que de fato é a inovação.
Segundo o próprio dicionário, inovação é o conceito de introduzir novidades, renovar, inventar ou criar. Seja na história da humanidade ou no mundo empresarial, já está muito claro que quem não inova, não sobrevive. Assim, hoje gostaria de compartilhar com você algumas dicas iniciais sobre como buscar e favorecer a inovação constante em sua empresa:
#1 – Aposte em um ambiente favorável à inovação. Um bom clima organizacional, somado a espaços compatíveis, a momentos para criação de ideias, sem dúvidas são facilitadores para dar vida a projetos inovadores; o Google que o diga! Porém, sua empresa não precisa ser uma gigante da tecnologia para que você possa fomentar esse tipo de ambiente. Para começar, às vezes, apenas um espaço mais tranquilo para o “cafezinho” já pode ser o palco da criação do seu projeto mais inovador até hoje.
#2 – Busque a colaboração com parceiros e com a comunidade. Orçamentos reduzidos ou até inexistentes não podem ser encarados como algo que impede a busca por inovação na sua empresa. Se até empresas líderes de mercado, como AMBEV, buscam o apoio de universitários e startups recém-criadas para dar vida a projetos inovadores em parceria, o que impede a sua empresa de buscar esse tipo de colaboração em sua comunidade? Unir forças com quem possui a mesma sinergia com o seu negócio, pode ser um fator decisivo para inovar.
#3 – Experimente, faça testes. Quem corre riscos permanece em movimento.
Naturalmente, a busca por novos produtos, serviços e oportunidades envolve uma série de riscos. Mas vale lembrar que, em um mundo em constante mudança, o risco maior fica por conta daqueles que resistem às transformações. Nesse sentido, compensa mais uma empresa arriscar, dar pequenos passos errados até chegar a uma grande corrida no caminho certo, do que permanecer apenas caminhando por um trajeto incerto.
Claramente, todas as dicas sobre como iniciar um processo de busca por inovação só vão ser eficazes se a empresa contar com lideranças que favoreçam esse contexto. São os líderes inspiradores os primeiros responsáveis por mover pessoas rumo ao sucesso. E inspiração empreendedora será o tema de amanhã.
Leandro Diniz é Gerente Executivo da Associação Comercial e Industrial de Campinas
Nem toda nova tecnologia surgiu a partir de um processo planejado e bem financiado
A história da humanidade é permeada por inovações que variam em escala e importância. Todas elas definiram a maneira como as pessoas das gerações subsequentes conviveriam, se relacionariam e preparariam o terreno para o futuro. O grande negócio da humanidade é descobrir; portanto, a inovação tem um papel fundamental na nossa existência.
Mas nem toda nova tecnologia surgiu a partir de um processo planejado e bem financiado. Na verdade, o domínio dos processos de inovação é algo recente. As inovações que criaram técnicas essenciais no nosso dia a dia se desenvolveram a partir da demanda, de maneira reativa, atropelada, e só foram aperfeiçoadas através dos séculos.
Mesmo hoje um produto ou processo não deve nascer pronto -- é uma imperfeição desejável. À medida em que o ciclo de adoção se desenrola, melhorias são efetuadas -- ou seja, a inovação é viva e orgânica. O que a humanidade fez com sucesso foi reduzir um intervalo de tempo de séculos para meses ou semanas, aumentando a taxa de sucesso e simplificando algo que é complexo por natureza.
Para entender melhor como isso aconteceu, podemos observar alguns exemplos históricos de técnicas que se desenvolveram e sem as quais hoje não saberíamos viver -- ao menos não da maneira que vivemos.
1. Contratos
Podemos não perceber, mas tudo o que fazemos hoje gira em torno de contratos documentados. O pão comprado no fim da tarde, os termos de software aceitos, os títulos públicos adquiridos para render juros compostos no futuro, as operações de crédito e as relações de trabalho são apenas alguns exemplos.Por dentro do assunto:saiba tudo sobre gestão de contratos com a SONDAPatrocinado
Embora Thomas Hobbes tenha teorizado a sociedade contratual no século XV, a história dos contratos teve início em tempos mais antigos.
Pedaços de ossos, troncos e outros objetos eram utilizados em várias regiões do mundo para estabelecer uma noção de quantidade, o que facilitava transações simples. Quando sociedades mais complexas começaram a se formar, as técnicas passaram a se tornar mais sofisticadas, o que deu origem ao termo "cuneiforme", conforme todos nós aprendemos na escola.
Por volta de 8 mil a.C, na região onde hoje é o Iraque, os contratos passaram a ser garantidos por uma bola oca de argila chamada bulla. As peças que representavam as transações -- trigo, cevada ou ovelhas, por exemplo -- eram depositadas nessa urna e suas marcas eram registradas no lado externo.
Nada parecido com os contratos de hoje (imagem: Museu do Louvre/Departamento de Antiguidades Orientais)
Assim, ficavam registrados não apenas os produtos usados nas transações, como também as quantidades, representadas por símbolos. Dessa maneira, formava-se uma dupla verificação contra fraudes. Apesar de simples, foi uma medida útil em uma época em que as aglomerações já reuniam milhares de pessoas, e muitas não se conheciam.
Sim, hoje temos tecnologias extremamente sofisticadas, como o blockchain. Mas as bullas foram uma resposta prática e inteligente a uma demanda da sociedade à época; não é à toa que foram amplamente utilizadas e favoreceram também tecnologias mais sofisticadas, como a escrita e as cédulas.
2. Papel-moeda
Medir o grau de riqueza devia ser mais simples em tempos antigos. Bastava saber o número de servos, terras, animais e, para os mais afortunados, ouro, o principal lastro de câmbio até o início do século XX, bem como outros metais preciosos.
Na província de Sichuan, na China, por volta de 1.000 d.C, foi instituído que o ouro e a prata ficariam sob controle do Estado para coibir sua evasão para nações vizinhas e inimigas. Para as transações cotidianas, os comerciantes deveriam utilizar moedas de ferro -- pesadas e de baixo valor quando comparadas com ouro ou prata.
Após a Segunda Guerra Mundial, o papel-moeda passou a ser a representação da força econômica de uma nação (imagem: domínio público)
A solução não foi bem aceita. Então os empresários passaram a utilizar os jiaozi -- que nada mais eram do que notas promissórias, como conhecemos hoje. Essas notas poderiam ser repassadas adiante e, em pouco tempo, ganharam tanta popularidade que passaram a ser produzidas livremente, sem qualquer valor oficial.
O problema é que o lastro dessas notas era a reputação dos vendedores -- ou seja, a promessa de que o dinheiro de verdade seria pago quando a circulação de ouro voltasse a ser liberada. Foi quando as autoridades chinesas decidiram regulamentar a emissão e uso dos jiaozi e proibir os títulos privados. Todos os lados ganhavam: ouro e prata ficavam protegidos contra saques e evasões, além de garantir reservas valiosas, e as pessoas não precisavam transportar baús cheios de ferro.
A inovação foi um sucesso do ponto de vista da usabilidade. Durante o império mongol, o sistema foi mantido: as cédulas eram produzidas a partir da casca da amoreira e carimbadas com o selo do Khan. O mesmo princípio existe hoje: o papel-moeda conta com dispositivos contra falsificações e sua produção é centralizada na Casa da Moeda.
3. Máquina analítica e seus algoritmos
Sem computadores, é impossível imaginar o mundo do trabalho, dos bancos, da ciência e do entretenimento hoje. É fácil lembrar da história dos computadores domésticos, da epopéia da Apple e da Microsoft contra gigantes corporativas como a IBM e Xerox. Ou até mesmo da genial máquina de Alan Turing, que era capaz de decodificar as mensagens dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e deu origem às máquinas modernas para uso comercial.
O que nem todos sabem é que o protótipo do computador foi elaborado um século antes, em 1833, pelo matemático britânico Charles Babbage. A máquina analítica, ou um computador mecânico, era capaz de realizar operações complexas; ou melhor, seria, se o projeto tivesse sido concretizado.
Máquina foi finalmente construída em 1991 segundo as instruções de Babbage -- e é completamente funcional (imagem: geni/creative commons)
Devido aos altos custos e à tecnologia incipiente da época, a máquina analítica não saiu do papel. Mas o trabalho de Ada Lovelace, matemática e parceira de Babbage no projeto, deu uma nova dimensão ao universo de possibilidades da máquina: ela criou a primeira aplicação prática -- melhor descrita como uma linguagem de programação.
Seus algoritmos permitiriam à máquina analítica operar valores de funções matemáticas, como os números de Bernoulli. Seu trabalho foi tão relevante para a computação moderna que foram republicados na década de 1950. Embora a condessa de Lovelace nunca tenha experimentado digitar palavras e números em um teclado de computador, ela é considerada a primeira programadora da história.
4. LED
Essa tecnologia percorreu um longo caminho até que chegasse aos faróis do seu carro e à sua sala. Para que as lâmpadas de LED (light emitting diode, ou diodo emissor de luz) fossem possíveis, era necessário provar a possibilidade de gerar luminosidade a partir de materiais inorgânicos percorridos por uma corrente elétrica. O mérito da prova foi do inglês Henry Round, em 1907.
Foi apenas em 1962 que o engenheiro Nick Holoniak, da General Electric, conseguiu produzir a primeira lâmpada de LED, na cor vermelha. O uso mais amplo da tecnologia, a princípio, foi nas luzes indicadoras de funcionamento de vários dispositivos, como ainda existe hoje.
Demorou alguns anos para que fossem criados diodos de LED nas cores verde e amarelo. O diodo de cor azul foi tão difícil de criar que os cientistas envolvidos no projeto, Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, ganharam o prêmio Nobel de Física em 2014. Essa descoberta viabilizou o uso de LED para aplicações como iluminação, um feito inédito.
Ela tem um impacto significativo na sua conta de energia (imagem: Led-neolight/creative commons)
A luz fria é capaz de economizar uma boa quantidade de energia em relação aos métodos tradicionais de iluminação -- lâmpadas incandescentes usam a maior parte da eletricidade para esquentar, e não iluminar. Para se ter uma ideia da escala do avanço, há cerca de 200 anos a iluminação das ruas utilizava óleo de baleia como combustível; dentro das casas, as pessoas se viravam com velas de sebo. É a prova definitiva que inovação garante maior eficiência.
Sempre que falamos sobre inovação vale lembrar algo importante: ninguém inova sozinho. E é por isso que falar sobre inovação envolve falar também sobre redes. São as redes que condicionam as formas como inovações vão surgir, isso porque o conhecimento se tornou mais fragmentado, sendo preciso agrupar pessoas de diferentes origens, campos e frameworks cognitivos para tratar de problemas que muitas vezes são complexos.
Inovar não significa, necessariamente, reinventar a roda, "disruptar". Há diferentes tipos de inovações e ela é o motor do desenvolvimento, se nunca tivéssemos inovado, ainda estaríamos na idade da pedra.
A inovação acontece quando existe uma combinação de conhecimento e criatividade em um ambiente favorável. Envolve duas lógicas diferentes: uma é sobre explorar o conhecimento existente e outra é sobre usar o conhecimento existente. A Toyota, por exemplo, vivia um paradoxo, times de trabalho tinham que desenvolver um método novo para fazer um banco de carro com mais rapidez, mas para que isso fosse possível, era preciso gastar tempo para ganhar tempo. Ou seja, criar ciclos entre exploração, descoberta e desenvolvimento. Isso nos mostra que para inovar nem sempre podemos ir com sede ao pote, pode ser preciso dar um passo atrás antes de querer fazer sentido.
Outro mito quando falamos sobre inovação está em torno da geração das ideias. Boas ideias não surgem apenas de momentos eureka, aqueles que temos enquanto tomamos banho ou estamos prestes a dormir. Elas podem levar tempo, surgir a partir de uma construção muito mais complexa, da conexão com outras metades de ideias que andaram por aí e que de repente se encontram e formam um sentido maior. E por isso é tão importante criar momentos e ambientes favoráveis para essas discussões. Levar pessoas para uma sala e deixá-las falar durante um brainstorming ou usar o design thinking para cavucar a fundo um problema do ponto de vista de um usuário são caminhos interessantes.
Tudo o que você aprende na vida fica registrado e, no momento certo, quando se encontrar com outros conceitos, vai gerar uma boa ideia que pode levá-lo a uma inovação. Entretanto, é importante entender que apenas obter informação daqui e dali não o ajudará em nada, isso porque informação é diferente de conhecimento. Informação se trata de pedaços de dados não estruturados, enquanto o conhecimento é a interpretação que fazemos desses dados. E mais, o que fazemos deles. De nada vai adiantar se entupir de informação e não passar disso.
Para ser uma empresa ou um profissional inovador é necessário entender que não basta querer, do dia para a noite, inovar. Trata-se de um processo muito maior. Pessoas não vão colaborar, ser criativas ou transformar nada se não se sentirem incentivadas a isso de verdade. É por isso que para inovar o ambiente necessário precisa ser criado. Isso inclui deixar de olhar apenas para o resultado financeiro e ter um propósito maior, algo pelo qual todas as pessoas ao redor se apaixonem e se sintam, verdadeiramente, contribuindo. A valorização excessiva à hierarquia também é um problema. Se na organização o título no crachá é o que mais importa e se no final do dia a tentativa de inovar é barrada nas hierarquias e nos processos burocráticos, nada vai acontecer. Volto aqui a falar sobre as redes, afinal, ninguém inova sozinho. O excesso de controle e a falta de fé e autonomia nos colaboradores vai impedir você e sua empresa de inovar e nenhum grande ideia vai nascer ou ser implementada com sucesso se o pensamento não mudar.
A inovação afeta a todos. Ou deveria afetar. Não existe mais essa de “eu trabalho com tal coisa, então não preciso inovar”. O tempo todo precisamos buscar a inovação para fazer algo de uma forma melhor, ainda mais no mundo atual em que vivemos, em que tudo muda rápido demais, novas profissões e tecnologias surgem, quase que em um piscar de olhos.
Nas redes sociais (e esse conceito não está limitado ao cenário das mídias sociais como ficou popularmente conhecido) os fluxos de conhecimento são repassados, eles transitam entre a rede. Saber onde se posicionar para incorporar esses fluxos é importante e essencial para obter boas informações, isso porque em nossas vidas pertencemos à diferentes camadas, ou seja, somos agregados a grupos sociais que nos restringem e nos possibilitam, de diversas maneiras.
Trocamos informações diferentes com pessoas diferentes e nessas relações o escopo de informação de cada um será diferente. Isto é, quem pratica um esporte contigo pode ser de um grupo social diferente de quem vai à igreja contigo, mas nada impede que este pertença a estes dois grupos também. A informação trocada nesses contextos é bem variável. Cabe a você ficar de olho em quais são os pontos nos quais passa o maior número de informação relevante para se manter atualizado. Esses pontos, inclusive, podem ser chamados de influenciadores. E influenciadores não são nada mais que atores-chave, que concentram informações e conseguem impactar muita gente com elas, isso porque eles estão posicionados em nós estratégicos que passam por diferentes camadas. Laços fortes e laços fracos, como na teoria de redes sociais proposta por Mark Granovetter, fazem com que elas cheguem mais ou menos adiante.
Algumas empresas trabalham com inovação fechada, enquanto outras escolhem trabalhar de forma aberta. Na inovação aberta a empresa deixa de enxergar a fronteira organizacional como fonte de conhecimento e escolhe incorporar fontes externas. Recentemente a Coca Cola anunciou que pagará 1 milhão de dólares para quem encontrar um substituto ao açúcar. E ele não pode à base de stevia ou de Lo Han Guo (também conhecida como siraitia ou fruta-dos-monges) ou de qualquer planta de espécies protegidas ou proibidas por órgãos reguladores de qualquer país. Esse é um exemplo de inovação aberta, pois buscar a solução dentro do seu próprio time certamente custaria muito mais do que pagar para alguém externo.
Alguns modelos de negócios nascem parecendo extremamente vantajosos, como os cartuchos de impressoras da HP ou as cápsulas de café da Nespresso. Mas algumas vezes as descobrem-se formas de hackear o processo e, então, surgem injetores de tinta para os cartuchos que levam a alternativas que não passam mais pela fabricante ou à cápsulas genéricas que se encaixam na maquininha de café, fazendo com que o consumidor deixe de comprar da marca original. Nestes casos, apenas uma revisão do modelo de negócios poderá salvá-los da queda drástica do número de vendas.
Empresas que adotam a inovação aberta vão muito além de buscar soluções fora de suas trincheiras. Elas também se permitem mais. A Lego, por exemplo, ao lançar os robôs Mindstorms, logo soube que seu sistema havia sido hackeado e que crianças eram capazes de guiá-lo para fazer coisas além do que havia sido programado. Em vez de esbravejar e proibir, abriu o código fonte, que está disponível no Github, dessa forma, muitas pessoas podem trabalhar em cima dele e criar milhares de outras possibilidades.
Nós buscamos inovar porque queremos criar valor e a inovação aberta também pode ser usada para criar valor. Não necessariamente o valor será capturado de volta nesse processo, o retorno pode acontecer de outras formas, por exemplo, gerando mais interesse pela novidade (como a possibilidade de ter um robô Lego que pode ter seu código melhorado), resultando em mais vendas. E por isso é tão importante entender a diferença entre criar e capturar valor, são coisas realmente diferentes.
Ao falar sobre inovação, Schumpeter traz o conceito de destruição criadora. Isso porque, a princípio, existe um processo de destruição antes que algo inovador se estabeleça. A inovação provoca disruptura, leva à dilemas e conflitos. Ou seja, apesar de a inovação ser o motor do desenvolvimento, ela também apresenta seu lado negativo, pois sempre existirá um modelo que vai se tornar dominante, enquanto outro decairá. Entretanto, rebelar-se contra ela não é a solução para detê-la e entender isso ajudará você e as pessoas ao seu redor a lidar melhor com a necessidade de se transformar continuamente para não ficar para trás.