Inovação é o conceito de introduzir novidades, renovar, inventar ou criar
Uma inovação disruptiva traz grandes impactos no mundo aos negócios, mas é apenas um complemento dentro de todo o conceito sobre o que de fato é a inovação.
Segundo o próprio dicionário, inovação é o conceito de introduzir novidades, renovar, inventar ou criar. Seja na história da humanidade ou no mundo empresarial, já está muito claro que quem não inova, não sobrevive. Assim, hoje gostaria de compartilhar com você algumas dicas iniciais sobre como buscar e favorecer a inovação constante em sua empresa:
#1 – Aposte em um ambiente favorável à inovação. Um bom clima organizacional, somado a espaços compatíveis, a momentos para criação de ideias, sem dúvidas são facilitadores para dar vida a projetos inovadores; o Google que o diga! Porém, sua empresa não precisa ser uma gigante da tecnologia para que você possa fomentar esse tipo de ambiente. Para começar, às vezes, apenas um espaço mais tranquilo para o “cafezinho” já pode ser o palco da criação do seu projeto mais inovador até hoje.
#2 – Busque a colaboração com parceiros e com a comunidade. Orçamentos reduzidos ou até inexistentes não podem ser encarados como algo que impede a busca por inovação na sua empresa. Se até empresas líderes de mercado, como AMBEV, buscam o apoio de universitários e startups recém-criadas para dar vida a projetos inovadores em parceria, o que impede a sua empresa de buscar esse tipo de colaboração em sua comunidade? Unir forças com quem possui a mesma sinergia com o seu negócio, pode ser um fator decisivo para inovar.
#3 – Experimente, faça testes. Quem corre riscos permanece em movimento.
Naturalmente, a busca por novos produtos, serviços e oportunidades envolve uma série de riscos. Mas vale lembrar que, em um mundo em constante mudança, o risco maior fica por conta daqueles que resistem às transformações. Nesse sentido, compensa mais uma empresa arriscar, dar pequenos passos errados até chegar a uma grande corrida no caminho certo, do que permanecer apenas caminhando por um trajeto incerto.
Claramente, todas as dicas sobre como iniciar um processo de busca por inovação só vão ser eficazes se a empresa contar com lideranças que favoreçam esse contexto. São os líderes inspiradores os primeiros responsáveis por mover pessoas rumo ao sucesso. E inspiração empreendedora será o tema de amanhã.
Leandro Diniz é Gerente Executivo da Associação Comercial e Industrial de Campinas
Nem toda nova tecnologia surgiu a partir de um processo planejado e bem financiado
A história da humanidade é permeada por inovações que variam em escala e importância. Todas elas definiram a maneira como as pessoas das gerações subsequentes conviveriam, se relacionariam e preparariam o terreno para o futuro. O grande negócio da humanidade é descobrir; portanto, a inovação tem um papel fundamental na nossa existência.
Mas nem toda nova tecnologia surgiu a partir de um processo planejado e bem financiado. Na verdade, o domínio dos processos de inovação é algo recente. As inovações que criaram técnicas essenciais no nosso dia a dia se desenvolveram a partir da demanda, de maneira reativa, atropelada, e só foram aperfeiçoadas através dos séculos.
Mesmo hoje um produto ou processo não deve nascer pronto -- é uma imperfeição desejável. À medida em que o ciclo de adoção se desenrola, melhorias são efetuadas -- ou seja, a inovação é viva e orgânica. O que a humanidade fez com sucesso foi reduzir um intervalo de tempo de séculos para meses ou semanas, aumentando a taxa de sucesso e simplificando algo que é complexo por natureza.
Para entender melhor como isso aconteceu, podemos observar alguns exemplos históricos de técnicas que se desenvolveram e sem as quais hoje não saberíamos viver -- ao menos não da maneira que vivemos.
1. Contratos
Podemos não perceber, mas tudo o que fazemos hoje gira em torno de contratos documentados. O pão comprado no fim da tarde, os termos de software aceitos, os títulos públicos adquiridos para render juros compostos no futuro, as operações de crédito e as relações de trabalho são apenas alguns exemplos.Por dentro do assunto:saiba tudo sobre gestão de contratos com a SONDAPatrocinado
Embora Thomas Hobbes tenha teorizado a sociedade contratual no século XV, a história dos contratos teve início em tempos mais antigos.
Pedaços de ossos, troncos e outros objetos eram utilizados em várias regiões do mundo para estabelecer uma noção de quantidade, o que facilitava transações simples. Quando sociedades mais complexas começaram a se formar, as técnicas passaram a se tornar mais sofisticadas, o que deu origem ao termo "cuneiforme", conforme todos nós aprendemos na escola.
Por volta de 8 mil a.C, na região onde hoje é o Iraque, os contratos passaram a ser garantidos por uma bola oca de argila chamada bulla. As peças que representavam as transações -- trigo, cevada ou ovelhas, por exemplo -- eram depositadas nessa urna e suas marcas eram registradas no lado externo.
Nada parecido com os contratos de hoje (imagem: Museu do Louvre/Departamento de Antiguidades Orientais)
Assim, ficavam registrados não apenas os produtos usados nas transações, como também as quantidades, representadas por símbolos. Dessa maneira, formava-se uma dupla verificação contra fraudes. Apesar de simples, foi uma medida útil em uma época em que as aglomerações já reuniam milhares de pessoas, e muitas não se conheciam.
Sim, hoje temos tecnologias extremamente sofisticadas, como o blockchain. Mas as bullas foram uma resposta prática e inteligente a uma demanda da sociedade à época; não é à toa que foram amplamente utilizadas e favoreceram também tecnologias mais sofisticadas, como a escrita e as cédulas.
2. Papel-moeda
Medir o grau de riqueza devia ser mais simples em tempos antigos. Bastava saber o número de servos, terras, animais e, para os mais afortunados, ouro, o principal lastro de câmbio até o início do século XX, bem como outros metais preciosos.
Na província de Sichuan, na China, por volta de 1.000 d.C, foi instituído que o ouro e a prata ficariam sob controle do Estado para coibir sua evasão para nações vizinhas e inimigas. Para as transações cotidianas, os comerciantes deveriam utilizar moedas de ferro -- pesadas e de baixo valor quando comparadas com ouro ou prata.
Após a Segunda Guerra Mundial, o papel-moeda passou a ser a representação da força econômica de uma nação (imagem: domínio público)
A solução não foi bem aceita. Então os empresários passaram a utilizar os jiaozi -- que nada mais eram do que notas promissórias, como conhecemos hoje. Essas notas poderiam ser repassadas adiante e, em pouco tempo, ganharam tanta popularidade que passaram a ser produzidas livremente, sem qualquer valor oficial.
O problema é que o lastro dessas notas era a reputação dos vendedores -- ou seja, a promessa de que o dinheiro de verdade seria pago quando a circulação de ouro voltasse a ser liberada. Foi quando as autoridades chinesas decidiram regulamentar a emissão e uso dos jiaozi e proibir os títulos privados. Todos os lados ganhavam: ouro e prata ficavam protegidos contra saques e evasões, além de garantir reservas valiosas, e as pessoas não precisavam transportar baús cheios de ferro.
A inovação foi um sucesso do ponto de vista da usabilidade. Durante o império mongol, o sistema foi mantido: as cédulas eram produzidas a partir da casca da amoreira e carimbadas com o selo do Khan. O mesmo princípio existe hoje: o papel-moeda conta com dispositivos contra falsificações e sua produção é centralizada na Casa da Moeda.
3. Máquina analítica e seus algoritmos
Sem computadores, é impossível imaginar o mundo do trabalho, dos bancos, da ciência e do entretenimento hoje. É fácil lembrar da história dos computadores domésticos, da epopéia da Apple e da Microsoft contra gigantes corporativas como a IBM e Xerox. Ou até mesmo da genial máquina de Alan Turing, que era capaz de decodificar as mensagens dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e deu origem às máquinas modernas para uso comercial.
O que nem todos sabem é que o protótipo do computador foi elaborado um século antes, em 1833, pelo matemático britânico Charles Babbage. A máquina analítica, ou um computador mecânico, era capaz de realizar operações complexas; ou melhor, seria, se o projeto tivesse sido concretizado.
Máquina foi finalmente construída em 1991 segundo as instruções de Babbage -- e é completamente funcional (imagem: geni/creative commons)
Devido aos altos custos e à tecnologia incipiente da época, a máquina analítica não saiu do papel. Mas o trabalho de Ada Lovelace, matemática e parceira de Babbage no projeto, deu uma nova dimensão ao universo de possibilidades da máquina: ela criou a primeira aplicação prática -- melhor descrita como uma linguagem de programação.
Seus algoritmos permitiriam à máquina analítica operar valores de funções matemáticas, como os números de Bernoulli. Seu trabalho foi tão relevante para a computação moderna que foram republicados na década de 1950. Embora a condessa de Lovelace nunca tenha experimentado digitar palavras e números em um teclado de computador, ela é considerada a primeira programadora da história.
4. LED
Essa tecnologia percorreu um longo caminho até que chegasse aos faróis do seu carro e à sua sala. Para que as lâmpadas de LED (light emitting diode, ou diodo emissor de luz) fossem possíveis, era necessário provar a possibilidade de gerar luminosidade a partir de materiais inorgânicos percorridos por uma corrente elétrica. O mérito da prova foi do inglês Henry Round, em 1907.
Foi apenas em 1962 que o engenheiro Nick Holoniak, da General Electric, conseguiu produzir a primeira lâmpada de LED, na cor vermelha. O uso mais amplo da tecnologia, a princípio, foi nas luzes indicadoras de funcionamento de vários dispositivos, como ainda existe hoje.
Demorou alguns anos para que fossem criados diodos de LED nas cores verde e amarelo. O diodo de cor azul foi tão difícil de criar que os cientistas envolvidos no projeto, Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, ganharam o prêmio Nobel de Física em 2014. Essa descoberta viabilizou o uso de LED para aplicações como iluminação, um feito inédito.
Ela tem um impacto significativo na sua conta de energia (imagem: Led-neolight/creative commons)
A luz fria é capaz de economizar uma boa quantidade de energia em relação aos métodos tradicionais de iluminação -- lâmpadas incandescentes usam a maior parte da eletricidade para esquentar, e não iluminar. Para se ter uma ideia da escala do avanço, há cerca de 200 anos a iluminação das ruas utilizava óleo de baleia como combustível; dentro das casas, as pessoas se viravam com velas de sebo. É a prova definitiva que inovação garante maior eficiência.
Sempre que falamos sobre inovação vale lembrar algo importante: ninguém inova sozinho. E é por isso que falar sobre inovação envolve falar também sobre redes. São as redes que condicionam as formas como inovações vão surgir, isso porque o conhecimento se tornou mais fragmentado, sendo preciso agrupar pessoas de diferentes origens, campos e frameworks cognitivos para tratar de problemas que muitas vezes são complexos.
Inovar não significa, necessariamente, reinventar a roda, "disruptar". Há diferentes tipos de inovações e ela é o motor do desenvolvimento, se nunca tivéssemos inovado, ainda estaríamos na idade da pedra.
A inovação acontece quando existe uma combinação de conhecimento e criatividade em um ambiente favorável. Envolve duas lógicas diferentes: uma é sobre explorar o conhecimento existente e outra é sobre usar o conhecimento existente. A Toyota, por exemplo, vivia um paradoxo, times de trabalho tinham que desenvolver um método novo para fazer um banco de carro com mais rapidez, mas para que isso fosse possível, era preciso gastar tempo para ganhar tempo. Ou seja, criar ciclos entre exploração, descoberta e desenvolvimento. Isso nos mostra que para inovar nem sempre podemos ir com sede ao pote, pode ser preciso dar um passo atrás antes de querer fazer sentido.
Outro mito quando falamos sobre inovação está em torno da geração das ideias. Boas ideias não surgem apenas de momentos eureka, aqueles que temos enquanto tomamos banho ou estamos prestes a dormir. Elas podem levar tempo, surgir a partir de uma construção muito mais complexa, da conexão com outras metades de ideias que andaram por aí e que de repente se encontram e formam um sentido maior. E por isso é tão importante criar momentos e ambientes favoráveis para essas discussões. Levar pessoas para uma sala e deixá-las falar durante um brainstorming ou usar o design thinking para cavucar a fundo um problema do ponto de vista de um usuário são caminhos interessantes.
Tudo o que você aprende na vida fica registrado e, no momento certo, quando se encontrar com outros conceitos, vai gerar uma boa ideia que pode levá-lo a uma inovação. Entretanto, é importante entender que apenas obter informação daqui e dali não o ajudará em nada, isso porque informação é diferente de conhecimento. Informação se trata de pedaços de dados não estruturados, enquanto o conhecimento é a interpretação que fazemos desses dados. E mais, o que fazemos deles. De nada vai adiantar se entupir de informação e não passar disso.
Para ser uma empresa ou um profissional inovador é necessário entender que não basta querer, do dia para a noite, inovar. Trata-se de um processo muito maior. Pessoas não vão colaborar, ser criativas ou transformar nada se não se sentirem incentivadas a isso de verdade. É por isso que para inovar o ambiente necessário precisa ser criado. Isso inclui deixar de olhar apenas para o resultado financeiro e ter um propósito maior, algo pelo qual todas as pessoas ao redor se apaixonem e se sintam, verdadeiramente, contribuindo. A valorização excessiva à hierarquia também é um problema. Se na organização o título no crachá é o que mais importa e se no final do dia a tentativa de inovar é barrada nas hierarquias e nos processos burocráticos, nada vai acontecer. Volto aqui a falar sobre as redes, afinal, ninguém inova sozinho. O excesso de controle e a falta de fé e autonomia nos colaboradores vai impedir você e sua empresa de inovar e nenhum grande ideia vai nascer ou ser implementada com sucesso se o pensamento não mudar.
A inovação afeta a todos. Ou deveria afetar. Não existe mais essa de “eu trabalho com tal coisa, então não preciso inovar”. O tempo todo precisamos buscar a inovação para fazer algo de uma forma melhor, ainda mais no mundo atual em que vivemos, em que tudo muda rápido demais, novas profissões e tecnologias surgem, quase que em um piscar de olhos.
Nas redes sociais (e esse conceito não está limitado ao cenário das mídias sociais como ficou popularmente conhecido) os fluxos de conhecimento são repassados, eles transitam entre a rede. Saber onde se posicionar para incorporar esses fluxos é importante e essencial para obter boas informações, isso porque em nossas vidas pertencemos à diferentes camadas, ou seja, somos agregados a grupos sociais que nos restringem e nos possibilitam, de diversas maneiras.
Trocamos informações diferentes com pessoas diferentes e nessas relações o escopo de informação de cada um será diferente. Isto é, quem pratica um esporte contigo pode ser de um grupo social diferente de quem vai à igreja contigo, mas nada impede que este pertença a estes dois grupos também. A informação trocada nesses contextos é bem variável. Cabe a você ficar de olho em quais são os pontos nos quais passa o maior número de informação relevante para se manter atualizado. Esses pontos, inclusive, podem ser chamados de influenciadores. E influenciadores não são nada mais que atores-chave, que concentram informações e conseguem impactar muita gente com elas, isso porque eles estão posicionados em nós estratégicos que passam por diferentes camadas. Laços fortes e laços fracos, como na teoria de redes sociais proposta por Mark Granovetter, fazem com que elas cheguem mais ou menos adiante.
Algumas empresas trabalham com inovação fechada, enquanto outras escolhem trabalhar de forma aberta. Na inovação aberta a empresa deixa de enxergar a fronteira organizacional como fonte de conhecimento e escolhe incorporar fontes externas. Recentemente a Coca Cola anunciou que pagará 1 milhão de dólares para quem encontrar um substituto ao açúcar. E ele não pode à base de stevia ou de Lo Han Guo (também conhecida como siraitia ou fruta-dos-monges) ou de qualquer planta de espécies protegidas ou proibidas por órgãos reguladores de qualquer país. Esse é um exemplo de inovação aberta, pois buscar a solução dentro do seu próprio time certamente custaria muito mais do que pagar para alguém externo.
Alguns modelos de negócios nascem parecendo extremamente vantajosos, como os cartuchos de impressoras da HP ou as cápsulas de café da Nespresso. Mas algumas vezes as descobrem-se formas de hackear o processo e, então, surgem injetores de tinta para os cartuchos que levam a alternativas que não passam mais pela fabricante ou à cápsulas genéricas que se encaixam na maquininha de café, fazendo com que o consumidor deixe de comprar da marca original. Nestes casos, apenas uma revisão do modelo de negócios poderá salvá-los da queda drástica do número de vendas.
Empresas que adotam a inovação aberta vão muito além de buscar soluções fora de suas trincheiras. Elas também se permitem mais. A Lego, por exemplo, ao lançar os robôs Mindstorms, logo soube que seu sistema havia sido hackeado e que crianças eram capazes de guiá-lo para fazer coisas além do que havia sido programado. Em vez de esbravejar e proibir, abriu o código fonte, que está disponível no Github, dessa forma, muitas pessoas podem trabalhar em cima dele e criar milhares de outras possibilidades.
Nós buscamos inovar porque queremos criar valor e a inovação aberta também pode ser usada para criar valor. Não necessariamente o valor será capturado de volta nesse processo, o retorno pode acontecer de outras formas, por exemplo, gerando mais interesse pela novidade (como a possibilidade de ter um robô Lego que pode ter seu código melhorado), resultando em mais vendas. E por isso é tão importante entender a diferença entre criar e capturar valor, são coisas realmente diferentes.
Ao falar sobre inovação, Schumpeter traz o conceito de destruição criadora. Isso porque, a princípio, existe um processo de destruição antes que algo inovador se estabeleça. A inovação provoca disruptura, leva à dilemas e conflitos. Ou seja, apesar de a inovação ser o motor do desenvolvimento, ela também apresenta seu lado negativo, pois sempre existirá um modelo que vai se tornar dominante, enquanto outro decairá. Entretanto, rebelar-se contra ela não é a solução para detê-la e entender isso ajudará você e as pessoas ao seu redor a lidar melhor com a necessidade de se transformar continuamente para não ficar para trás.
Participantes poderão receber atendimento individual para projetos e tirar dúvidas em ação da Agência de Desenvolvimento Paulista
Neste mês de agosto a Desenvolve SP (Agência de Desenvolvimento Paulista) retorna ao Parque Tecnológico São José dos Campos. Durante os três últimos dias do mês, 29, 30 e 31, a Agência apresenta uma nova edição do Movimento pela Inovação.
O evento contará com palestras e debates entre especialistas de importantes instituições de fomento à inovação, como FAPESP, SENAI, Finep, Instituto Euvaldo Lodi (IEL), entre outros. Os palestrantes vão abordar temas dentro das pautas: garantias, modalidades de crédito e elaboração.
No local também haverá apresentação de projetos para a obtenção de recursos para inovação.
Os interessados poderão ainda receber atendimento individual para apresentar projetos e tirar dúvidas. Os atendimentos serão feitos mediante agendamento prévio pelo site movimentopelainovacao.
Logo da empresa de telecomunicações Oi em um shopping de São Paulo em outubro de 2013 (Foto: Nacho Doce/Reuters/Arquivo)
A Oi lança na tarde desta quinta-feira (24) o Oito, um centro de empreendedorismo e inovação no Rio de Janeiro.
Sediado em Ipanema, na zona sul da capital, o centro vai atuar em três frentes: desenvolvendo um programa de incubação para startups em estágio inicial; selecionando startups mais maduras para aceleração; e promovendo a pesquisa por meio de um laboratório para desenvolvimento e teste de soluções da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) em parceria com a Nokia.
Hoje será aberto também o edital de seleção de projetos para o Programa de Incubação de Startups do Oito para aporte de até R$ 150 mil para cada projeto selecionado.
O objetivo da Oi é criar um espaço para a geração de novos negócios, desenvolvimento de soluções tecnológicas e digitais, aceleração de startups e suporte a negócios sociais.
Previsão de crescimento no mercado de gás natural pode ajudar o país a se tornar referência no setor energético
Inovação: indústria de petróleo e gás deve ficar atenta às soluções mais eficientes que o mercado oferece (elenabs/Getty Images)
O futuro do mercado de energia no Brasil é promissor. De um lado, sobe cada vez mais a produção de petróleo no país, com o recorde de 2,65 milhões de barris por dia em 2016. Do outro, há o barateamento das fontes de energia renováveis, que torna possível levar eletricidade para as regiões mais remotas do Brasil.
Um ponto de encontro entre esses dois fatores é o gás natural. Com o crescimento da produção de petróleo, haverá um aumento no volume de produção de gás. Embora as fontes renováveis estejam cada vez mais eficientes, o sistema energético precisa de uma alternativa para eventuais flutuações. “Nos próximos dez anos, a indústria de gás crescerá exponencialmente no país. Não apenas com mais produção, mas no uso dessa fonte de energia na nossa economia”, afirma José Magela, presidente da empresa Prumo Logística.
De olho nessa tendência, o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o programa Gás para Crescer. O objetivo é estabelecer novas normas no setor para aumentar a produtividade e a competitividade e, consequentemente, fazer o país se desenvolver. Entre as diretrizes da iniciativa, por exemplo, está a inclusão das termelétricas na base de geração do sistema elétrico brasileiro.
A indústria de petróleo e gás deve ficar atenta às soluções mais eficientes que o mercado oferece. Veja, a seguir, algumas estratégias essenciais para diversificar a matriz energética e tornar o país um exportador de energia.
Investimento privado
A abertura do mercado de óleo e gás é uma das principais mudanças de que o setor precisa para crescer. “Quando existe um sistema fechado, sem a possibilidade de contratos flexíveis, é muito difícil fazer investimentos privados. Isso aumenta os riscos da atividade e afasta os investidores. Com a abertura, o sistema se torna mais flexível e transparente, o que diminui os riscos”, diz Magela.
Marcelo Mendonça, gerente de planejamento e competitividade da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), concorda que a abertura pode trazer vantagens para o setor. O programa Gás para Crescer, por exemplo, prevê a abertura do mercado para o investimento privado.
“É uma oportunidade de diversificar a oferta e aumentar a competitividade. A questão vai muito além da diversificação de investimentos. Até porque 20% da produção de gás natural é feita por outras empresas que não a Petrobras. O benefício virá, principalmente, nos novos projetos em expansão de infraestrutura, que permitirão o escoamento da produção de gás até os centros de consumo”, diz.
Indústria inteligente
A digitalização dos processos produtivos – com sensores inteligentes e computação em nuvem – é uma tendência global. Ao aumentarem a coleta de dados na produção, as empresas que atuam no setor de óleo e gás e sabem utilizar essas informações têm vantagem estratégica e são capazes de tomar decisões operacionais mais rápidas e eficientes.
Segundo Magela, o setor de petróleo e gás já tem muita tecnologia associada, mas ainda é possível encontrar processos que não são medidos e que podem influenciar nos resultados. “Sempre há espaço para melhorar quando o assunto é coleta de dados e melhora na inteligência de uso dos recursos dentro da indústria. Quanto mais informações, melhor. Afinal, no Brasil, ainda temos um gasto significativo nos setores de gás natural e energia em comparação com outros países”, diz.
Usinas de ciclo combinado
A geração de energia elétrica com o gás natural é feita por meio de termelétricas, mas existem dois tipos de usinas: as de ciclo aberto, que produzem com a queima do combustível; e as de ciclo combinado, que também conseguem reutilizar os escapes da produção para produzir vapor e girar uma segunda turbina.
Termelétricas de ciclo combinado produzem, portanto, mais energia com a mesma quantidade de combustível. É por isso que a recomendação é que as novas usinas sejam desse tipo. “A usina de ciclo aberto tem uma geração de baixa eficiência, o que deixa a energia mais cara. A escolha pela usina de ciclo combinado já é praticamente uma determinação do mercado”, diz Mendonça.
Usinas de ciclo combinado ajudam também a atender à demanda que surge quando há flutuações na rede elétrica. “Nossa matriz depende muito das hidrelétricas, mas, quando os reservatórios estão baixos, é preciso buscar ajuda nas termelétricas. Uma usina de ciclo combinado é excelente para recompor os níveis de água dos reservatórios, pois a produção é confiável e diminui a necessidade da energia das hidrelétricas”, diz Mendonça.
As usinas de ciclo combinado oferecem um bom rendimento energético na transformação do gás natural em energia elétrica. Não à toa, no projeto do Porto de Açu, localizado na cidade de São João da Barra (RJ), a Prumo planeja um polo de gás natural com a construção de duas ou três termelétricas desse tipo.
“O projeto que nós escolhemos apresentava um rendimento de 70%, o que é muito superior às termelétricas de ciclo aberto. Apenas é viável construir uma termelétrica de ciclo aberto em projetos que precisam de rapidez. Caso contrário, a única escolha possível é a usina de ciclo combinado, pois a melhor eficiência energética traz mais retorno econômico”, diz Magela.
Equipamentos submarinos
São muitos os equipamentos em uma plataforma de produção de petróleo que flutua em alto-mar. Isso porque o petróleo que é extraído pode estar misturado com água, gases e contaminantes, então é preciso tratar o material antes de transportá-lo.
Esses equipamentos podem ficar na própria plataforma ou no fundo do mar. A diferença é que, quando as máquinas estão submersas, é possível usar plataformas menores e mais leves, pois elas não terão que servir de apoio para muitos equipamentos. “A plataforma fica mais eficiente e ganha flexibilidade operacional. Isso se traduz em redução de custos, menos manutenção e aumento de produtividade. Em um cenário de produção cada vez maior de petróleo e gás, essa otimização é ideal”, diz Magela.
Infraestrutura
Para que o gás natural possa ser uma opção viável no mix de energia do Brasil, ele precisa chegar aos principais centros de consumo. Isso pode ser feito de duas maneiras. A primeira é com a construção de tubulações para transporte do gás natural. E a segunda é por meio de investimento em redes inteligentes de transmissão de energia e com menos perdas operacionais.
O sistema de escoamento do gás natural produzido no Brasil ainda é limitado. Segundo Magela, há poucos gasodutos e quase todos se concentram no litoral do país. “A malha é relativamente pequena, se considerarmos o tamanho do Brasil e o potencial de consumo do país. Mas, conforme a produção aumentar, os investimentos na distribuição devem crescer.”
Segundo Magela, a mudança na infraestrutura levará a um aumento no uso do gás na geração de energia e em processos industriais, como em petroquímicas ou na produção de fertilizantes. “Isso será essencial para que o país se torne um grande exportador de energia, o que deve se materializar nos próximos anos.”
Drone ajuda agricultor a ver como anda a sua lavoura. Com aplicativo, consumidor faz compra sem passar pelo caixa.
Na segunda (16.08.2017) reportagem que o Jornal Nacional apresenta nesta semana sobre o esforço de brasileiros para inovar, Sandra Passarinho mostra que o investimento em inovação é uma porta de saída para a crise e uma entrada para talentos no mercado de trabalho.
Lá vem o drone, uma aeronave não tripulada, dirigida por controle remoto, com múltiplas utilidades. Nesta versão, ele é usado para ajudar o agricultor a ver como a lavoura está indo.
No começo, foi difícil para a Embrapa emplacar essa ideia nova com o dinheiro público.
“Achavam que nós estávamos brincando. E que na verdade era um projeto tecnológico e não de pesquisa”, contou Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação.
Essa tecnologia só decolou mesmo de dois anos para cá com o objetivo de aumentar a produtividade e os lucros do setor agrícola, sem atingir o meio ambiente.
A novidade é que foram acoplados sensores ao drone. A equipe também criou programas que leem as imagens captadas e podem ser baixados de graça no site da Embrapa. É possível entender as doenças, as pragas.
“Olhando por cima, fica mais fácil identificar. Nitidamente esta área tem mais verde, tem mais biomassa, tem mais alimento para o gado. Se eu colocar meu gado aqui, como tá sendo manejado, aqui tem falhas e ele vai ter uma perda de peso provavelmente”.
A crise econômica no país não atrapalhou o projeto: o programa já foi baixado mais de 70 mil vezes.
“Muitos agricultores têm nos procurado, porque, justamente num momento difícil, é onde a inovação pode contribuir com aquele salto”, disse Lúcio.
Se o agricultor tem uma tecnologia, o consumidor também pode ter a dele.
“Tá sempre azeda. Muito difícil, muito raro eu comprar uma fruta dessas, e ela estar doce”, diz a dona de casa Simone Eugênio, escolhendo ameixas num supermercado.
Não dá para abrir nem experimentar a ameixa ali na hora, mas dá para descobrir a qualidade das frutas em segundos com a ajuda de uma máquina.
“Seria perfeito. Porque assim o que a gente compra não vai ter o desperdício dentro da nossa casa”, concorda Simone.
Nós fomos atrás desta inovação neste laboratório da Embrapa, em São Carlos, interior de São Paulo. O princípio de funcionamento é semelhante ao de um aparelho de ressonância magnética usado para exames médicos.
“Pegamos a fruta e colocamos ela dentro do ímã que onde vai ser feita a análise. Agora vou colocar outra laranja. O vermelho é uma laranja doce, e o preto, uma laranja que não é doce”, explica Luiz Alberto Colnago, pesquisador da Embrapa.
E dá para testar também o azeite e até a qualidade da carne.
A máquina não substitui a fiscalização da vigilância sanitária, mas ajudaria o consumidor a escolher os produtos.
Cada vez mais se pensa em inovações para facilitar o dia a dia das pessoas. Quem nunca ficou numa fila grande?
“Vou ficar sem almoço porque estou na fila”, diz a jovem.
O engenheiro Fábio Piva teve uma ideia para tentar acabar com as filas nas lojas. Numa livraria de Campinas, ele me mostra como funciona o protótipo de um aplicativo para celular, que permite ao consumidor fazer uma compra sem ter que passar pelo caixa.
“Você aproxima esse aplicativo do produto, obtém informações sobre a história do livro, o preço exato. Isso, ai aparece um botão de compra, você clica nesse botão, se você concordar em comprar, e aí tem um passo extra, que é o diferencial, que você aproxima mais uma vez da etiqueta e aparece a liberação do produto. Então, isso significa que essa etiqueta agora ela não vai mais disparar os alarmes da porta. Cada etiqueta tem a sua senha, então você não pode comprar um produto de 10 reais e tentar desativar uma etiqueta de 200”, explicou Fábio.
O projeto de Fábio está em avaliação numa empresa privada
Uma reserva ideias vale centavos, não vale nada no mercado. O começo do caminho é definir uma estratégia: o que é possível jogar fora para ficar só com aquilo que poderá fazer uma diferença no mundo real.
“Se você investir em dez projetos, e apenas um der certo, esse único projeto é capaz de cobrir todas as perdas nos outros nove projetos”, disse Caetano Penna, economista da UFRJ.
Para poder tirar uma ideia da cabeça e colocá-la em prática é preciso ter apoio desde cedo, como o próprio Fábio teve.
“Existe uma necessidade de prestar muita atenção nas novas gerações. O aluno de iniciação cientifica de hoje vai buscar uma bolsa, se ele não encontrar, ele vai terminar a graduação dele, talvez ele vai trabalhar fora do país, e aí você perdeu um talento. Então é muito importante a gente cativar e proteger os nossos inovadores”, disse ele.
Assista o vídeo no site http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/08/investimento-em-inovacao-e-porta-de-saida-para-crise-mostra-serie-do-jn.html